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Correio da Manhã

Economia
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Camionistas parados em todo o país

Dezenas de camionistas concentraram-se esta segunda-feira em vários pontos do país para realizarem algumas acções de protesto. O Governo já anunciou que se vai reunir com a ANTRAM.
9 de Junho de 2008 às 18:30
Os camionistas ameaçam parar o país
Os camionistas ameaçam parar o país FOTO: Vítor Mota

A PSP está atenta aos motoristas para evitar marchas ilegais e bloqueios a grandes cidades, conforme notícia hoje o 'Correio da Manhã'.

Em Condeixa-a-Nova, Batalha, Beja, Porto Alto, Loures, Alverca, Carregado e fronteira do Caia são alguns dos locais onde os camionistas se concentraram para convencer os colegas a aderir à paralisação nacional.

Na EN1, em Alenquer, e na EN2, no Carregado, dezenas de camiões estão parados nas bermas e junto a rotundas para evitar que os motoristas furem a paralisação. O proprietário de uma transportadora, João Godinho, adiantou que apenas dexam passar veículos pesados que transportem bens essenciais como o pão, medicamentos, gás ou oxigénio para hospitais. O empresário explicou ainda que os motoristas estão ali concentrados porque os parques estão completos.

Entretanto, a saída de camiões do terminal de Perafita, em Matosinhos, foi bloqueada por um grupo de transportadores, que se preprara para fazer o mesmo no porto de Leixões.

Durante a madrugada, pelo menos dez viaturas foram apedrejadas, das quais oito na A2, junto a Grândola, por indivíduos não identificados, e dois na A1, próximo de Coimbra.

Já esta manhã, um motorista, de 38 anos, que se encontra em Santo Antão, na Batalha, queixou-se de ter sido agredido por um agente da autoridade. O camionista foi transportado para o hospital, apresentando dores num braço. No local, dezenas de camionistas estão concentrados.

Ao início da tarde, na rotunda do Carregado, um motorista ficou ferido ao ficar entalado entre um camião e um automóvel ligeiro. O acidente ocorreu quando o camião dava a volta à rotunda para se dirigir ao parque de pesados e o condutor não viu nem o homem nem o carro.

A partir do início da tarde, um grupo de 100 transportadores de Braga poderá bloquear o acesso de camiões à cidade. Para evitar a passagem dos colegas, grupos de camionistas deslocam-se de Famalicão, Barcelos, Póvoa do Lanhoso e Vila Verde.

De manhã, os motoristas promoveram na cidade um buzinão pela cidade, em marcha lenta, provocando longas filas de trânsito.  

O aumento do preço dos combustíveis encabeça a lista de reivindicações, mas os camionistas exigem ainda a criação do gasóleo profissional, a diferenciação positiva fiscal, ajudas de custo e o incentivo à renovação das frotas. Enquanto as exigências não forem atendidas pelo Governo, os profissionais prometem manter a paralisação.

GOVERNO E ANTRAM EM REUNIÃO

A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) reúne-se hoje, pelas 16h00, com o Governo para 'encontrar soluções que minimizem o impacto do aumento do preço dos combustíveis.

Na reunião participarão, além de responsáveis da associação, o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, e a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino. Na nota divulgada pelo Ministério pode ler-se que o encontro estava marcado de acordo com o 'calendário já estabelecido' entre as duas partes.

SÓCRATES APELA AO DIÁLOGO

Assegurando que o Governo compreende as dificuldades das empresas e dos trabalhadores perante o aumento do preço dos combustíveis, José Sócrates apelou às negociações. No final da II Cimeira Luso Argelina, que decorre em Argel, o primeiro-ministro sublinhou que 'é preciso que todos percebam que desse diálogo é que podem resultar boas medidas para o sector dos transportes e para o país, que compensem os mais atingidos'.

No entanto, Sócrates advertiu que as medidas que possam vir a ser tomadas não poderão pôr em causa as contas públicas e a economia do país. 'Todos compreendem que não faremos aquilo que não podemos fazer e que prejudicaria o Estado e o país no seu futuro. A nossa atitude é de abertura e de diálogo, com vontade de ajudar, mas com a firme intenção de não colocar em causa as contas públicas e os alicerces em que está assente a economia portuguesa', disse.

FRONTEIRA FRANCO-ESPANHOLA BLOQUEADA

Mais de 300 camiões já estão bloqueados na fronteira entre França e Espanha devido à instalação de um piquete por parte dos transportadores espanhóis.

A greve foi convocada na sexta-feira pelas duas principais organizações do país, mas são as pequenas e médias empresas que mais protestam contra o aumento do preço dos combustíveis.

CAMIONISTAS PORTUGUESES RECUSAM SEGUIR PARA ESPANHA

Vários camionistas portugueses encontram-se parados em Vilar Formoso e garantem que só atravessam a fronteira quando lhes forem dadas garantias de que poderão prosseguir com segurança.

Devido à greve dos camionistas espanhóis, os motoristas portugueses estão a ser aconselhados pela polícia espanhola a permanecer em território nacional e assim evitar possíveis retaliações e bloqueios no país vizinho.

FECTRANS LAMENTA ‘SILÊNCIO’ DO GOVERNO

A direcção da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) lamentou esta segunda-feira a indisponibilidade do Governo para debater questões relacionadas com o sector.

O dirigente da FECTRANS Victor Pereira lamenta que o Governo não analise “os problemas dos trabalhadores”, no dia em que se reúne com a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM), para “encontrar soluções que minimizem o impacto dos aumentos dos preços dos combustíveis”.

CAP APELA A EXCEPÇÃO PARA TRANSPORTADORES DE LEITE

A CAP e a LEICARCOOP apelaram à compreensão de todos os transportadores para que abram uma excepção aos camiões de transporte de leite manifestando-se, no entanto, solidários para com a luta contra a subida dos preços dos combustíveis.

Ambas as organizações consideram essencial a circulação dos camiões de transporte de leite, visto tratar-se de “uma matéria-prima com prazo de validade extremamente curto”, que não pode, por isso, permanecer nas cisternas por mais de 12 horas.

CAMIÕES APEDREJADOS EM LEIRIA

Pelo menos dois pesados de mercadorias foram apedrejados por desconhecidos junto ao cruzamento do IC 2 com a Estrada Nacional 109, em Leiria.

Entretanto em Braga, um grupo de transportadores tentou impedir a entrada de camiões na cidade, de forma pacífica, convidando os motoristas a aderir à paralisação.

O bloqueio amigável durou até às 17h00, altura em que os camionistas decidiram suspendê-lo e aguardar pelo resultado da reunião entre o ministro dos Transportes e a ANTRAM.

CAVACO ACOMPANHA PARALISAÇÃO

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, assegurou que está a acompanhar a paralisação dos camionistas, no entanto recusou fazer qualquer comentário sobre o assunto devido às comemorações do 10 de Junho.

 

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