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Correio da Manhã

Economia
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CAMPEÕES NA SUBIDA DE DESEMPREGO

Em Portugal, a taxa de desemprego subiu mais do que nos outros países da Zona Euro, revelou ontem a Eurostat. Em termos relativos, no mês de Fevereiro, a taxa situou-se nos 6,7 por cento, contra os 4,3 registados em igual período do ano passado.
2 de Abril de 2003 às 00:46
Em Fevereiro, 12,1 milhões de pessoas encontravam-se desempregadas na Zona Euro e 14,1 milhões nos 15 países da União Europeia, segundo os dados revelados pelo gabinete comunitário de Estatísticas.
Segundo Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP, o aumento do desemprego torna-se mais preocupante porque se está a verificar nas classes mais qualificadas.
“O pior é que estamos a assistir a um aumento do desemprego qualificado. O agravamento do desemprego neste sector mostra que nos estamos a fixar numa matriz que não promove o desenvolvimento do País”, acrescenta Carvalho da Silva.
O responsável da CGTP adianta ainda que as políticas governamentais estão a provocar uma regressão ao nível das condições sociais.
Para o líder sindical, “é precisa uma mobilização nacional contra o facilitismo com que se fecham empresas e se despedem trabalhadores”.
Na opinião do secretário-geral da UGT, João Proença, “há uma tendência clara para o agravamento. A taxa de desemprego caminha para níveis caóticos. Como a UGT vem anunciando, vamos chegar ao fim de 2003 com níveis acima dos oito por cento”.
Segundo o sindicalista, esta situação vai provocar problemas sociais, nomeadamente para os recém-licenciados, que não vão encontrar emprego.
Na Zona Euro, a taxa de desemprego aumentou para 8,7 por cento. Na União Europeia manteve -se nos 7,9 por cento.
A Espanha continua a ter a taxa de desemprego mais alta da União Europeia (11,9 por cento). O Luxemburgo é o país com a taxa de desemprego mais baixa, com 2,8 por cento.
Além de Portugal, a Holanda também registou um aumento, de 2,4 por cento em Janeiro para 3,4 por cento.
Só a Finlândia assistiu a uma redução da taxa de desemprego, de 9,2 para 8,8 por cento. A Itália manteve -se nos nove por cento.
VAI HAVER UM AUMENTO DO DÉFICE
O aumento do desemprego vai implicar um crescimento do montante pago em subsídios pelo Estado, o que, por sua vez, terá por consequência um “aumento do défice público” considera Eduardo Catroga, economista e ex-ministro das Finanças. O especialista afirma, no entanto, que o aumento do desemprego já era esperado. “Penso que até final do ano a taxa de desemprego não vai continuar a crescer. Com a estagnação da actividade económica já se previa um agravamento”, refere. Segundo o ex-ministro, para os próximos meses é preciso minorar o impacto social que advém do aumento do desemprego, nomeadamente tomar medidas de protecção social. Paralelamente, têm de se reforçar as condições para o aumento do investimento privado. “Só com a retoma da confiança dos investidores privados é que pode haver uma recuperação da actividade económica e, consequentemente, a criação de mais emprego”, acrescenta.
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