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Correio da Manhã

Economia
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Campeões nas baixas

Os portugueses que metem baixa por motivos de saúde ficam, em média, 12 dias por ano em casa. É um recorde europeu, apenas ultrapassado pela Bulgária, segundo um estudo sobre saúde que incluiu 24 países.
11 de Junho de 2009 às 00:30
O ministro do Trabalho, Vieira da Silva (à dir.), e o secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, têm combatido as baixas fraudulentas
O ministro do Trabalho, Vieira da Silva (à dir.), e o secretário de Estado da Segurança Social, Pedro Marques, têm combatido as baixas fraudulentas FOTO: João Miguel Rodrigues

De acordo com o inquérito da consultora Mercer sobre benefícios de saúde no trabalho, Portugal está muito acima da média europeia, que se fixa nos 7,4 dias por ano. A vizinha Espanha, pelo contrário, ocupa o top três dos países em que menos dias se tira de baixa.

As dores musculares, o stress e as doenças psíquicas lideram as razões de baixa no País, revela o estudo. Os números nacionais dão ainda mais força a este recorde. Isto porque em Portugal as baixas têm subido nos últimos meses.

Entre Março e Abril, os números de baixas processadas por doença aumentaram 13,6%. De um mês para o outro são mais 16 mil pessoas de baixa. Esta tendência já acontece desde o início de 2009, quando nos dois primeiros meses foram processadas 125 247 mil novas baixas por doença, um valor que supera em 134% o registado no mesmo período de 2008.

O estudo revela ainda que, dada a visão negativa que os portugueses têm do sistema de saúde, os benefícios médicos oferecidos por empresas no contrato de trabalho são considerados valiosos. Ideia que já não funciona nos países nórdicos, dada a qualidade dos serviços médicos.

De referir ainda que o Ministério do Trabalho, de Vieira da Silva, tem trabalhado para combater as baixas fraudulentas.

UMA EM CADA TRÊS BAIXAS É FRAUDULENTA

Quase um em cada três beneficiários do subsídio de doença fiscalizados pela Segurança Social perdeu o direito à prestação social entre 2005 e 2007. O Governo de José Sócrates apostou desde do início da legislatura no reforço do combate à fraude no domínio das prestações sociais, e em 2007 cortou 70 mil baixas fraudulentas de Janeiro a Setembro.

Mesmo assim, os gastos com esta prestação social são significativos. Nos primeiros dois meses de 2009 a Segurança Social gastou 81,2 milhões de euros, o que significa uma subida de 8,7% em comparação com o mesmo período do ano passado. Vários especialistas são unânimes em considerar que o aumento do número de baixas se deve à crise económica. O cenário de desemprego cria um desgaste adicional nos trabalhadores, alegam.

PORMENORES

STRESS PROFISSIONAL

O Observatório Europeu dos Riscos defende que em dez anos o stress profissional será a principal causa das doenças laborais.

RANKING

A Bulgária lidera a lista, com uma média de 22 dias por ano de baixa. Segue-se Portugal com 12 e a República Checa com 11.

SUBIDA

O estudo, que incluiu 800 empresas, refere que os pedidos de baixa têm aumentado desde 2005.

TURQUIA

Os turcos são os mais saudáveis, segundo o estudo, com uma média de 4,6 dias de baixa por ano.

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