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Correio da Manhã

Economia
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CARCAÇA VAI CHEGAR AOS 15 CÊNTIMOS

O preço da carcaça vai chegar aos 15 cêntimos no Centro e Sul do país durante o próximo ano, aumentando ainda mais a diferença dos valores de venda do produto em relação à zona Norte, onde os empresários de panificação se queixam da concorrência desleal espanhola, que estará a dificultar a actualização das tabelas.
23 de Outubro de 2004 às 00:00
Segundo foi possível apurar junto de vários profissionais do sector, os preços do pão deverão uniformizar-se de forma genérica nos 15 cêntimos nas padarias das zonas do litoral Centro e Sul, onde actualmente, apesar das oscilações, a carcaça ronda os 12 cêntimos.
A viver num ‘reino à parte’, os empresários nortenhos praticam preços que oscilam entre os 5 e os 10 cêntimos – o que garantem ficar abaixo do custo de produção, agravado pelas “apertadas normas de qualidade alimentar, higiene e segurança no trabalho, além da mão-de-obra”.
É uma diferença “abismal e inaceitável, porque não se compreende que num País tão pequeno e num produto de valor tão baixo”, haja uma diferença que chega aos 10 cêntimos por carcaça – como sublinhou ao CM o industrial José Alberto Carvalho, de Famalicão.
O preço do pão é estabelecido livremente por cada padaria, razão pela qual a Associação de Industriais de Panificação do Norte (AIPAN) se recusa a assumir qualquer intervenção para a actualização das tabelas, apesar de o presidente da instituição, Manuel Enes, reconhecer que no Norte o pão é demasiado barato e que no Sul o preço é bem mais justo.
O dirigente associativo corrobora as queixas apresentadas pelos empresários no VIII Encontro Nacional de Panificação e Pastelaria, que está a decorrer sob a organização da Associação Comercial de Braga, onde denunciaram a concorrência desleal dos espanhóis, com uma forte campanha de venda porta-a-porta e junto às igrejas, sobretudo no Minho.
“Há um sentimento generalizado de que é absolutamente necessário aumentar o preço do pão, mas toda a gente está com medo de o fazer, por causa da concorrência de baixa qualidade e sem as condições mínimas legais dos espanhóis”, assegurou Domingos Martins, gerente da padaria ‘Pão Quente de Pevidém’, em Guimarães.
O bracarense José Oliveira Pimenta, gerente das Pastelarias e Padarias S. José, corrobora as denúncias da acção espanhola, atestando que, “além de ser de menor qualidade, é pão semicongelado, que se cose consoante as necessidades e que nunca se desaproveita, o que permite a prática de outros preços”.
O presidente da AIPAN classifica mesmo o produto espanhol como ‘fotocópia de pão’ e alerta que ‘nuestros hermanos’ estão a violar a legislação europeia, chegando “ao ponto de venderem gás e outras coisas”. Em seu entender, o problema é que a fiscalização está apenas a vigiar padarias em situação regular e não a actividade no terreno.
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