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Correio da Manhã

Economia
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Carne argentina substitui a picanha brasileira

A carne argentina vai passar a ser a eleita nos restaurantes portugueses de rodízio face ao embargo à carne bovina brasileira decretado ontem pela União Europeia. Deficiências graves verificadas ao nível das condições sanitárias e controlo de qualidade estiveram na base desta decisão.
1 de Fevereiro de 2008 às 00:30
No nosso país a picanha, a maminha e o cupim (partes da vaca) são cada vez mais presença obrigatória na ementa. Os restaurantes brasileiros tornaram-se ponto de referência para jantares de família, amigos ou mesmo de negócios. Cadeias como o Chimarrão e o Só Peso multiplicaram-se a olhos vistos.
O CM procurou saber junto de alguns conhecidos restaurantes brasileiros como procuram reagir perante o embargo decretado à carne bovina do maior país sul-americano. Salientado a melhor relação preço/qualidade da carne bovina brasileira, os proprietários destes restaurantes admitem optar pelas carnes argentina e holandesa, o que pode encarecer um pouco o preço de venda ao consumidor. Por agora não se mostram muito preocupados, já que ainda possuem carne em stock e o embargo, apesar de total, só abarca as importações a partir do dia 15 de Março.
As instâncias europeias notificaram as autoridades brasileiras em Dezembro passado de que, a partir de 31 de Janeiro deste ano, a importação da carne de vaca seria suspensa caso não fosse exclusivamente proveniente de pastos seleccionados que respeitassem as regras sanitárias em vigor na UE.
Lembre-se que o Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, sendo o mercado europeu um dos principais clientes. No ano de 2006 a União Europeia importou um total de 327 mil toneladas de carne brasileira, no valor de 963 milhões de euros, segundo dados avançados pelo Eurostat.
"ERA CONCORRÊNCIA DESLEAL"
Os produtores portugueses mostraram-se satisfeitos com o embargo decretado pela UE à carne brasileira. Segundo José Oliveira, da Leicar, a carne brasileira constituía uma “concorrência desleal”, quer ao nível da qualidade quer ao nível dos preços, dado que não cumpriam normas sanitárias rigorosas, como aquelas que são exigidas por Bruxelas aos produtores nacionais. O responsável da Leicar afirma que o embargo vai permitir a descida dos preços de venda ao consumidor da carne nacional, representando ao mesmo tempo lucros acrescidos para os produtores portugueses. Para José Oliveira, há “carne suficiente no País para satisfazer as necessidades” dos consumidores. Os produtores brasileiros, por seu lado, não parecem muito preocupados, já que consideram que o mercado interno e a aposta em novos mercados poderão suprir a perda do nicho de negócios europeu. De igual modo consideram que o embargo será temporário.
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