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Correio da Manhã

Economia

Carne do Alentejo cresce na exportação

Em 1992, ano da fundação, a empresa reunia 33 produtores com um volume de negócios de um milhão de euros. Hoje são 150 com uma facturação de 14 milhões. Exporta para Angola, Macau, Bélgica e Luxemburgo.
24 de Fevereiro de 2012 às 15:00
Fernando Carpinteiro Albino, presidente da  Carnalentejana, não descurou a inovação
Fernando Carpinteiro Albino, presidente da Carnalentejana, não descurou a inovação FOTO: Vítor Mota

Quando, há 20 anos, trinta e três produtores de bovinos de raça alentejana criaram a empresa Carnalentejana para comercializar os seus animais estavam longe de imaginar que se tornariam num exemplo para o sector agrícola em Portugal. Nesse ano, a sociedade facturou um milhão de euros. Hoje, esgota o produto no mercado português, cresce na Europa e África e atinge um volume de negócios de 14 milhões de euros.

"A união dos produtores foi decisiva para este sucesso. Aliás, a única maneira da empresa estar no mercado é manter essa união. Eu, como produtor, não conseguia nada sozinho porque seria sempre pequeno no mercado", referiu Fernando Carpinteiro Albino, presidente da administração da Carnalentejana.

A empresa nasceu em Junho de 1992 na cidade de Elvas, com um capital social de 118 150 euros. Em 20 anos aumentou esse capital para 685 mil euros e o número de produtores associados para um total de 150.

"Cada produtor tem um número de acções na empresa igual ao total do seu efectivo pecuário", explicou o presidente, de 67 anos. Advogado de profissão desde 1971, com escritório em Lisboa, Carpinteiro Albino é dos maiores produtores desta raça autóctone produzida em regime extensivo no Alentejo. Desde 1980 que cria bovinos nas suas herdades em Monforte, Fronteira e Elvas, distrito de Portalegre.

"São necessários mais produtores e o aumento do efectivo porque a nossa produção não chega para as necessidades do consumidor. Todas as semanas são abatidos 120 animais. As 30 toneladas de carne que colocamos no mercado português, sobretudo nas grandes superfícies, desaparecem por completo", refere o presidente da empresa, que tem como um dos maiores associados a Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, com um efectivo de 600 animais de um total de 15 mil vacas adultas distribuídas pelos produtores alentejanos.

Apesar de não ter resposta para a "enorme procura do mercado", a Carnalentejana mantém o desafio das exportações, que se aproxima "a passos largos" dos 10 por cento da produção total. "A maioria das exportações é para Angola e Macau. Em números mais reduzidos para a Bélgica e o Luxemburgo", referiu o presidente da empresa certificada pela Certis, que coloca no mercado peças de bovino com Denominação de Origem Protegida (DOP) embaladas a vácuo, refrigeradas e ultracongeladas.

Além da aposta na colocação dos produtos nos mercados europeu e africano, a Carnalentejana não descura também a inovação. Em 2002 surgiu com o primeiro hambúrguer DOP. Até final deste primeiro semestre, e para assinalar o 20º aniversário do agrupamento de produtores, a empresa vai lançar as salsichas de bovino de raça alentejana para sandes e cachorros e uma gama de produtos pré-cozinhados, confeccionados com base na receita de um chef português.

"As empresas têm de se manter activas no mercado e têm também de abraçar novos desafios que cativem os consumidores. Esperamos que estes produtos tenham sucesso", frisou Carpinteiro Albino que anunciou, para Março, a abertura de um restaurante da Carnalentejana no bairro do Rego, em Lisboa.

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