As portagens da futura ponte rodoviária do Tejo na capital deveriam contribuir para financiar os transportes públicos da Área Metropolitana de Lisboa, defendeu ontem o presidente da Câmara de Lisboa, num seminário sobre a terceira travessia.
António Costa considera que a aposta nos transportes públicos – nomeadamente o prolongamento da rede de metro e de eléctricos rápidos – é uma das formas de minimizar o impacto negativo da futura travessia do Tejo na capital.
O presidente da Câmara de Lisboa considerou que qualquer que seja a localização escolhida para a terceira travessia sobre o Tejo, esta terá sempre um “forte impacto na qualidade de vida e no tráfego de Lisboa” mas, ainda assim, aceita a proposta Chelas/Barreiro como a solução que melhor atende ao ordenamento do território e ao desenvolvimento regional. “Tudo depende do que se definir como prioritário”, afirmou.
Já a presidente da Câmara do Montijo considerou que mais do que saber qual a melhor travessia, importa conhecer “os verdadeiros custos destes acessos e quem os vai pagar”. Maria Amélia Antunes manifestou-se preocupada com o tempo e o número de passageiros transportados e não tem dúvidas quanto ao impacto que o novo aeroporto terá na região: “Vai produzir uma revolução territorial.”
Carlos Humberto Carvalho, presidente da Câmara do Barreiro e da Junta Metropolitana de Lisboa, defendeu a travessia Chelas/Barreiro, recordando que o outrora pólo industrial está agora a sofrer “uma depressão de carácter económico, social e até emocional”.
Se a perspectiva dos municípios dominou a sessão da manhã do seminário sobre ‘A Nova Travessia do Tejo’, promovido pela Ordem dos Engenheiros, a tarde foi preenchida pelas apresentações técnicas das cinco propostas existentes (ver textos ao lado), sobretudo pelas duas mais aprofundadas: a da entidade pública que gere a Alta Velocidade (Rave) que propõe Chelas/Barreiro e a incluída no projecto do novo aeroporto de Lisboa que defende Beato/Montijo.
Estas são propostas mais aprofundadas, muito embora – e como sublinhou o próprio responsável pelo estudo da CIP, José Manuel Viegas – os estudos da Chelas/Barreiro têm quase uma década enquanto a proposta Beato/Montijo foi feita em apenas três meses. Mas serão estas duas que o LNEC terá em conta no estudo encomendado pelo ministro das Obras Públicas. Mário Lino tem sublinhado que todas as opções “fundamentadas” serão consideradas no estudo do LNEC, mas a verdade é que apenas aquelas duas se encontram nesta categoria.
LNEC PODE TER MAIS TEMPO
O Governo pode vir a estender o prazo de 45 dias dado ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) para apresentar o estudo comparativo sobre as soluções de travessia do Tejo, caso aquela entidade o solicite. A garantia foi dada ontem pela secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, respondendo assim a uma crítica dirigida por José Manuel Viegas. O defensor da ponte entre o Beato e Montijo (integrada no estudo da Confederação da Indústria Portuguesa para o novo aeroporto de Lisboa) tinha manifestado reservas ao prazo dado ao LNEC, considerando que poderia não ser suficiente. Viegas criticou igualmente o debate que considerou um “embuste”.
GOVERNO NÃO EXCLUI QUARTA TRAVESSIA SOBRE O TEJO
A secretária de Estado dos Transportes admitiu ontem que poderá vir a ser construída uma quarta travessia do Rio Tejo, nomeadamente entre Algés e a Trafaria, uma solução proposta pelo estudo da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP). Ana Paula Vitorino, que falou aos jornalistas no final do seminário sobre ‘A Nova Travessia do Tejo’, confirmava assim o que o administrador da Rave (Rede Ferroviária de Alta Velocidade) já dissera na sua intervenção em defesa da ponte Chelas/Barreiro. Esta quarta travessia, "necessária mais tarde ou mais cedo", seria apenas rodoviária. A necessidade de uma terceira travessia surgiu na sequência do projecto de alta velocidade para a ligação Lisboa-Madrid, mas a ponte servirá também a linha ferroviária convencional. É para dar resposta às ligações ferroviárias que a Rave tem defendido a travessia entre Chelas e o Barreiro. Em dúvida, ficou a inclusão de um tabuleiro rodoviário que o primeiro-ministro viria a anunciar a 10 de Janeiro. Menos de um mês depois, o Governo mandatou o LNEC para estudar qual a melhor travessia para o rio Tejo em Lisboa.
CHELAS / BARREIRO
A proposta da Rave prevê a travessia do Tejo entre Chelas e o Barreiro. É a solução mais estudada e prevê que o TGV entre em Lisboa pela Margem Norte e atravesse o Tejo assegurando a ligação da capital a Madrid.
BEATO / MONTIJO
Esta solução, que integrou o estudo da CIP, preconiza uma ligação entre o Beato e o Montijo e uma estação central localizada na Margem Sul.
CHELAS / BARREIRO 2
Pompeu dos Santos defende a construção da nova ponte entre Chelas e o Barreiro, mas as soluções na capital incluem um viaduto no Vale de Chelas.
CHELAS / MONTIJO
A proposta de José Lopes prevê duas travessias do Tejo, uma ferroviária entre Chelas e o Montijo e uma outra ponte apenas rodoviária entre Algés e a Trafaria.
ALVERCA / ALCOCHETE
O engenheiro Luís Cabral da Silva propõe um túnel ferroviário, entre Alverca e a Margem Sul, e a estação central do TGV no Oriente.
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