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Correio da Manhã

Economia
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Cavaco Silva abre portas

A primeira reunião do Conselho para Globalização promovida pelo Presidente da República, que ontem juntou mais de 42 empresários e gestores portugueses e internacionais em Sintra, já deu os primeiros frutos. Prova disso, como avançou Cavaco Silva, foi a reunião entre os responsáveis da Intel, empresa líder mundial no fabrico de ‘chips’, e a associação portuguesa empresarial para a inovação, Cotec, durante a manhã de ontem.
11 de Novembro de 2006 às 00:00
O Conselho para a Globalização, que irá voltar a reunir em Agosto de 2007, abriu assim as primeiras portas do mercado mundial às empresas portuguesas. Uma iniciativa apoiada por Cavaco Silva, que assegurou: “Estou disponível para fazer o que estiver ao meu alcance para que as empresas portuguesas possam ser vencedoras no mercado global”. Por isso, exortou-as, incluindo pequenas e médias, a apostarem na inovação, educação e cooperação. “É um erro pensar que a globalização só diz respeito às grandes empresas, também diz respeito às pequenas e médias empresas”, afirmou. E reforçou: “A globalização é inevitável e está a alterar decisivamente a forma como as empresas operam [...] Portugal tem de fazer um grande esforço para vencer no mercado global”.
Já o presidente da Cotec, Artur Santos Silva, deixou outro conselho às pequenas e médias empresas para vingarem no mercado mundial: “Cooperação nos processos de inovação”.
Consciente da importância da globalização, o Presidente da República apoiou a Cotec na realização deste conselho para debater as oportunidades deste fenómeno. E o objectivo foi cumprido. Além da troca de experiência, os empresários trocaram também os cartões e até já marcaram entrevistas.
Segundo disse Cavaco Silva no final da reunião, esta permitiu ainda que os empresários estrangeiros convidados, oriundos de países tão perto como a Espanha e a França e tão longe como China, ganhassem “maior consciência do que é a economia portuguesa”. “Vamos ver que perspectivas se abrem para que boas instalar em Portugal”, adiantou o Presidente da República, que ressalvou, no entanto, que “os resultados não se podem medir ao metro”.
Foram 22 os líderes de empresas mundiais que ontem estiveram presentes em Sintra. Para dar exemplo do seu peso na economia global, Cavaco Silva sublinhou que os convidados representam 4,5 vezes a produção de Portugal. O PIB português estimado para este ano é de cerca de 153 mil milhões de euros.
Empresas como a IBM, Google, Telefónica, Roche, Microsoft e Ericsson estiveram representadas no Conselho para a Globalização. Já do lado português fizeram-se representar: EDP, BES, Sonae, BCP, Renova, BPI, Mota-Engil, Amorim, CGD, Grupo Pestana, SGC, BIAL, Logoplaste, PT, RAR, Grupo José de Mello, Semapa e Sogrape.
DIRECTOR DA COTEC ELOGIA ENCONTRO
O director da Cotec que moderou a primeira reunião do Conselho para a Globalização considerou a iniciativa muito útil, por levar os empresários estrangeiros presentes no encontro a interessarem-se por Portugal e pelas empresas portuguesas. Se estes empresários se interessarem por Portugal e “destinarem 0,5% dos seus programas de investimento ao País”, o PIB português irá reflectir isso, afirmou Filipe de Botton, no final da reunião.
O empresário sublinhou que algumas das empresas estrangeiras presentes no encontro possuem um volume de vendas que representa 4,5 vezes o PIB português e considerou que a “experiência foi extremamente útil” para futuras oportunidades de investimento. Esta opinião foi partilhada por João Pereira Coutinho, presidente do grupo SGC, que considerou a reunião “uma iniciativa extraordinária”, e por Henrique Granadeiro, presidente da Portugal Telecom (PT).
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