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Correio da Manhã

Economia
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CDS-PP pede acareação entre Dias Loureiro e Francisco Comprido

O antigo administrador do BPN, Francisco Comprido, foi hoje acusado pelo CDS-PP de "faltar á verdade" perante a comissão de inquérito parlamentar. Por isso, o CDS-PP admitiu que vai pedir a acareação entre o ex-ministro Dias Loureiro e este gestor.
17 de Março de 2009 às 22:09
Dias Loureiro está no centro da polémica
Dias Loureiro está no centro da polémica FOTO: Tiago Petinga / Lusa

'Uma comissão de inquérito não pode aceitar que um grupo [SLN] e um banco [BPN] comuniquem a esta comisão que determinado negócio aconteceu de determinda forma e hoje alguém vem dizer o contrário', afirmou Nuno Melo, reportando-se ao negócio de Porto Rico. 'Não estamos a falar de pessoas quaisquer, o País tem o direito de saber o que se passou', acrescentou o deputado.

Para Nuno Melo, 'esta comissão tem a obrigação de retirar consequências em relação à forma como a verdade é tratada'. 'Não posso aceitar o que hoje aqui se passou', disse.

Francisco Comprido afirmou aos deputados ter a ideia de que o Excellence Assets Fund, o fundo que comprou a empresa porto-riquenha Biometrics e do qual foi presidente, era detido em 100 por cento pelo fundo. Contudo, o ex-quadro do banco foi confrontado com um relatório semestral do grupo, assinado pelo próprio Francisco Comprido, que dava conta de o fundo apenas deter 25 por cento das acções da Biometrics. 'Ou premeditadamente não está a dizer o que é sua obrigação dizer a esta comissão, ou acha que pode tratar com ligeireza, nesta comissão, o esclarecimento da verdade', afirmou Nuno Melo, deputado do CDS-PP.

Em resposta, Francisco Comprido foi claro: 'Estou debaixo desta legislação e tomo responsabilidade por tudo o que digo.' O ex-gestor e presidente do fundo ripostou a acusação: 'Não gosto que digam que falto à verdade, não é bonito.'

Apesar de Francisco Comprido afirmar que não se recordar de quem detinha as unidades de participação do fundo, o deputado Nuno Melo revelou ainda que fundo investiu 35 milhões de euros na Biometrics, 15 milhões na Controlauto e 12 milhões no BPN Obrigações. 'Como é que alguém investe 63 milhões de euros e não se lembra?', questionou o deputado. O antigo administrador apenas conclui: 'É porque foram empresas que revelaram potencial.'

NEGÓCIO DE PORTO RICO

O ex-administrador do BPN, que é igualmente presidente do fundo que comprou a Biometrics - a empresa de Porto Rico que originou uma perda de 38 milhões de euros à SLN -, afirmou não se recordar do nome das pessoas que estiveram envolvidas na venda da empresa. Ainda assim, garante que "o preço a que a empresa foi comprada foi igual ao preço a que foi vendida".

Certo é que Dias Loureiro assinou o contrato de cessação da participação das empresas da SLN e do fundo presidido por Francisco Comprido e que dava conta da venda da Biometrics por um dólar. O antigo administrador garantiu aos deputados que nunca assinou nenhuma procuração para esse efeito. "Eu não quero negar a validade desse contrato, mas eu tenho um hábito. Quando é invocado o nome de uma sociedade a que pertenço eu procuro pela minha assinatura e ela não está aqui.  Ou procuro uma procuração", resumiu, acrescentando: "Eu não me recordo de assinar qualquer procuração."

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