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Correio da Manhã

Economia
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Centro Ásia abre 60 lojas destinadas a revenda

A área industrial de Chelas recebeu ontem o Centro Ásia, o mais recente espaço comercial chinês destinado a revenda para lojas portuguesas e chinesas. São 60 estabelecimentos e mais de seis mil metros quadrados ligados à produção têxtil, sapataria, bijuteria e acessórios.
19 de Março de 2006 às 00:00
O Centro Ásia é mais uma prova de que o comércio chinês continua a apostar no mercado nacional
O Centro Ásia é mais uma prova de que o comércio chinês continua a apostar no mercado nacional FOTO: Jorge Godinho
Dois dragões vermelhos numa dança tradicional do Oriente deram as boas-vindas a esta iniciativa comercial, que todos acreditam vir a ser um sucesso.
É apenas mais uma forma de integrar “uma comunidade imensa” que vive em Portugal há já muitos anos e cuja descendência é já portuguesa, defende António Homem de Gouveia, assessor da Câmara de Lisboa, presente ontem na inauguração do espaço.
Homem de Gouveia lembrou a importância de os empresários portugueses imitarem os seus homólogos chineses e “partirem à descoberta” das potencialidades do mercado oriental, aproveitando a amizade que já existe entre ambas as culturas: “Abrimos as nossas portas e eles estão disponíveis a abrir as portas da China aos nossos produtos.”
Lembrando que dificilmente os têxteis portugueses poderiam competir com os chineses, muito mais baratos, o responsável salientou que os nossos produtos mais típicos, como o vinho, já são bem acolhidos na comunidade chinesa.
Ye Weizhong, um dos responsáveis pelo Centro Ásia, adiantou que o investimento no espaço Ásia rondou os 200 mil euros.
Nas primeiras semanas este centro estará aberto todos os dias até que os lojistas e administração consigam perceber como se desenvolve “o movimento” das vendas.
PREÇOS BAIXOS GARANTEM SUCESSO
No dia de inauguração do Centro Ásia, o ambiente vivido era de euforia. Todos acreditam que os novos armazéns de revenda serão um grande sucesso.
E os lojistas não receiam trabalhar seis dias por semana, 13 horas por dia, para agradarem aos seus clientes.
Dawei, um dos comerciantes e responsável pela loja de roupa interior Aier, adianta que espera “muitos clientes”. A sua família já possui outras três lojas em Lisboa, e todas elas vendem bem. A razão? “Os portugueses vão mais às lojas chinesas porque o preço é mais económico”, é a resposta segura de Dawei no seu português quase perfeito. Além disso há a vantagem de estas lojas reunirem uma série de produtos distintos num só espaço e estarem abertas o dia todo: “Trabalhamos quase 24 horas por dia e ganhamos pouco, por isso as coisas são mais baratas. Se ganhássemos mais não precisávamos de trabalhar mais do que quatro ou cinco horas por dia”, avança o lojista acrescentando que os chineses são pessoas pouco voltadas para gastos supérfluos e muito empenhadas no negócio: “Ganhamos para comer.”
CARACTERÍSTICAS
DESCANSO
O Centro Ásia é composto por cerca de 60 lojas abertas das 10h00 às 23h00. O descanso semanal ainda não foi instituído mas, caso se concretize, será apenas um dia da semana.
ALTERNATIVA
Esta zona comercial pretende ser uma alternativa a outros espaços idênticos, como é o caso do Centro Comercial do Martim Moniz ou de Porto Salvo, um dos maiores de Lisboa.
IMPORTAÇÕES
Os produtos à venda no Centro Comercial são maioritariamente importados da China, mas também há artigos de origem europeia, nomeadamente Itália, Espanha e Portugal.
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