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Correio da Manhã

Economia
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CEO ESCONDEM SALÁRIOS

Os presidentes executivos das empresas portuguesas e austríacas são os mais relutantes entre os europeus em divulgar os seus salários e rendimentos, revela um estudo comparativo realizado pela consultora britânica BoardEx.
29 de Julho de 2004 às 00:00
O estudo baseia-se nos dados disponibilizados nos relatórios e contas e nas informações prestadas às entidades reguladoras nos 17 países que integram o estudo, pelas 300 maiores empresas europeias, entre as quais se contam as portuguesas Portugal Telecom, EDP e os bancos Comercial Português (BCP) e Espírito Santo (BES).
Segundo o estudo, referente aos anos de 2002 e 2003, os salários dos presidentes executivos (Chief Executive Officer – CEO) em Portugal – como o de Jorge Jardim Gonçalves (BCP), Miguel Horta e Costa (PT), João Talone (EDP) ou de Ricardo Espírito Santo Silva Salgado (BES) – não são divulgados.
A BoardEx refere que o único dado obtido na análise relativo a Portugal se refere ao número de acções pagas ao presidente executivo do BES em 2002, mas sem qualquer referência ao valor das mesmas.
“Não parece haver muita pressão nas empresas portuguesas para que divulguem muita coisa”, explicou à Lusa o autor do estudo, Brendan Sheehan. “A maioria dos países têm já alguma forma de obrigatoriedade de revelar dados como estes, mas no caso de Portugal isso não parece acontecer”, sustenta. Além de Portugal e da Áustria – em que nenhuma empresa revela os dados –, a Bélgica, Luxemburgo, Noruega, Dinamarca e Grécia aparecem no estudo sem médias estatísticas.
CMVM FEZ RECOMENDAÇÃO
A divulgação pública dos salários auferidos pelos gestores das empresas cotadas foi objecto de uma recomendação feita pela Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) em Novembro de 2003. Nessa recomendação, a autoridade que supervisiona o mercado de capitais refere que “a transparência respeitante à remuneração constitui um corolário do alinhamento de interesses entre os administradores e a sociedade, porquanto a revelação da repartição interna das remunerações permite verificar os incentivos existentes para premiar o empenhamento dos membros do órgão de administração na prossecução dos objectivos comuns. Esta medida constitui por isso prática dominante na Europa, recomendada no Plano de Acção da Comissão Europeia”. Uma recomendação que poucas sociedades cotadas cumprem.
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