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Correio da Manhã

Economia
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Certame dominado pela seca

A Ovibeja abre hoje as suas portas e os agricultores, que há meses se vêem a braços com uma seca que já lhes secou os campos e as contas bancárias, vão aproveitar a presença de pessoas com poder de decisão para lembrar que as intenções de ajuda têm sido muitas mas que falta a concretização de todas elas.
30 de Abril de 2005 às 00:00
A seca já provocou prejuízos na ordem dos 1,8 mil milhões de euros
A seca já provocou prejuízos na ordem dos 1,8 mil milhões de euros FOTO: Nuno Veiga/Lusa
“Vamos apresentar a situação actualizada”, esclareceu ao CM Castro e Brito, presidente da Associação de Criadores de Ovinos do Sul (ACOS), entidade que organiza este certame, que decorre até ao próximo dia 8 no Parque de Feiras e Exposições de Beja. Para o ouvir tem hoje Jorge Sampaio e o ministro da Agricultura, Jaime Silva. Ao longo da semana, o certame será visitado pelo primeiro-Ministro, deputados e euro-deputados.
António Sebastião, dirigente da Federação dos Agricultores do Baixo Alentejo (FABA), diz que “aquilo que amanhã [hoje] vamos transmitir aos governantes é que o valor dos prejuízos são incalculáveis. O último número com que avançámos é de 1,8 mil milhões de euros mas aqui não estão contemplados os prejuízos psicológicos que tanto agricultor sofre”.
Este dirigente acredita que “nem Bruxelas nem o Governo têm forma de pagar os prejuízos”.
Esperançado, Castro e Brito acredita que no certame hão-de ser anunciadas algumas medidas, como é apanágio deste evento e, também, porque a condição actual “o impõe”, as medidas urgentes são muitas, a mais urgente, diz, prende-se com o abeberamento ao gado. “Esta situação tem que ser resolvida sem burocracia”.
A necessidade de acelerar os apoios efectivos leva Castro e Brito a aconselhar os políticos a “não se perderem nos corredores de Bruxelas. O diálogo com Bruxelas não pode limitar as ajudas do Estado”.
SITUAÇÃO MANTEVE-SE EM ABRIL
A grave situação da seca em Portugal manteve-se na última quinzena deste mês, segundo o Instituto de Meteorologia, estando marcada para segunda-feira uma reunião da Comissão para a Seca 2005 que poderá propor novas medidas de combate.
Após a reunião será divulgado o balanço da situação de seca no País desde 15 de Abril, que a agência Lusa soube que vai manter, pelo menos, os níveis de seca extrema e severa registados em 80 por cento do País durante a primeira quinzena do corrente mês.
“Não há melhoria” da situação de seca nos últimos 15 dias de Abril, afirmou à Lusa o presidente do Instituto de Meteorologia, Adérito Serrão.
No dia 15 deste mês cerca de 80 por cento do País estava nos piores níveis de seca (extrema e severa).
O balanço indicava que a situação tinha piorado face à última quinzena de Março, quando 52 por cento do território nacional registava esses níveis de seca (severa e extrema).
PRODUÇÃO DE CEREAIS CAI ENTRE 80 A 100 POR CENTO
A quebra de produção de cereais no Baixo Alentejo, decorrente do período de seca que se vive, deverá situar-se entre os 80 e os 100 por cento, segundo dados divulgados pela Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC).
Mais a norte, no Alto Alentejo, os níveis de abaixamento das produções devem-se cifrar entre os 50 e os 70 pontos percentuais.
A mesma fonte apela ao Governo para que os pagamentos que são feitos aos agricultores via INGA se realizem atempadamente.
Para já querem o pagamento das ajudas agro-ambientais de 2003 e de 2004, que deveriam ter sido liquidadas até Outubro dos respectivos anos.
Até 15 de Outubro próximo pretendem receber o dinheiro referente às ajudas mencionadas, respeitante à campanha de 2005, mas isso, realçam, obriga a que os controlos obrigatórios que o INGA realiza sejam executados dentro dos prazos.
A ANPOC pede que seja decretado o estado de calamidade.
CURIOSIDADES
ESPAÇO
A Ovibeja estende-se por 10 hectares e espera a visita de 300 mil pessoas. O espaço, que durante anos foi sendo aumentado, já é pequeno para satisfazer todos os pedidos de participação num certame que abarca “Todo o Alentejo deste mundo”.
AUMENTO
Aumentar o número de dias do certame de nove para 16 é uma vontade manifestada num inquérito realizado em Beja. Esta alteração poderá ser alvo de análise da organização, a qual realça que o alargamento obrigaria à montagem de uma estrutura mais elaborada.
COLÓQUIOS
A agricultura vai estar em destaque nos vários colóquios que estão agendados. A produção biológica de pequenos ruminantes, a tuberculose bovina no Alentejo, a seca e língua azul e a gestão de riscos e das crises na agricultura são alguns dos temas.
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