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Correio da Manhã

Economia
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CGTP convoca semana de greves no final de Outubro

"Aguentar mais austeridade? Impossível. Já é muito difícil para uma jovem com 29 anos viver fora da casa dos pais, ter um carro ou uma casa, constituir família e não precisar de ajuda". O desabafo de Daniela Santos, uma jovem enfermeira, reflectia ontem o sentimento geral dos cerca de 130 mil manifestantes, segundo números da CGTP, que ontem protestaram em Lisboa contra o que consideram ser um ataque "ao bolso dos portugueses". Uma semana de greves e protestos, entre 20 e 27 de Outubro, é uma das acções decidida pela CGTP contra as medidas de austeridade do Governo.
2 de Outubro de 2011 às 01:00
Milhares marcharam ontem contra a austeridade na avenida da Liberdade, em Lisboa
Milhares marcharam ontem contra a austeridade na avenida da Liberdade, em Lisboa FOTO: Pedro Catarino

"A troika tira-me os trocos", queixa-se uma empregada de balcão. "Roubar o subsídio de Natal é uma vergonha nacional", cantam alguns funcionários da Câmara de Palmela que desfilaram entre a praça do Saldanha e os Restauradores. Os funcionários públicos queixaram-se dos congelamentos salariais e da mobilidade, afirmando que "não são lixo" e empregados de uma cadeia de supermercados que exigiam melhores condições de trabalho marcharam lado a lado. O CM falou com diversos manifestantes que se queixam das medidas de austeridade: "Já tenho problemas em pagar as contas e vai ficar pior", reconhece Isabel Santos, que está desempregada.

Para Carvalho da Silva, líder da CGTP, o rumo do Executivo "só provoca recessão económica e aumento do desemprego".

VONTADE DE PROSSEGUIR A LUTA

A manifestação organizada pela CGTP no Porto deixou "clara a determinação e a vontade de ir mais longe no aprofundamento da luta", garantiu o líder sindical João Torres, adiantando que o protesto juntou entre 50 a 60 mil pessoas. Números que contrastam com os 25 mil que segundo a PSP se concentraram na avenida dos Aliados. O coordenador da União dos Sindicatos do Porto classificou como "inaceitável o que o Governo está a fazer ao País", afirmando que esta manifestação, a par da que decorreu em Lisboa, "insere-se na necessidade de dar resposta à política de desastre nacional".

No seu discurso, João Torres sublinhou que "este Governo não tem legitimidade nenhuma para impunemente continuar a assaltar os bolsos dos que pouco ou nada têm para depois encher, com o resultado desses roubos, os cofres dos ricos, poderosos e parasitas". Para o sindicalista a resposta às acções de ontem são "um sinal inequívoco de que não há resignação" e indicou que em breve poderá ser convocada uma greve geral.

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