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Correio da Manhã

Economia
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Cimpor: Accionistas minoritários dizem que oferta da InterCement subavalia empresa

A associação de investidores da Cimpor defendeu esta segunda-feira que o preço da Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Camargo Corrêa subavalia a empresa e trata os accionistas de forma desigual, elogiando a administração por proteger os accionistas minoritários.
14 de Maio de 2012 às 09:34
Castro Guerra, presidente do conselho de administração da Cimpor, foi elogiado pelo associação de investiodres da empresa
Castro Guerra, presidente do conselho de administração da Cimpor, foi elogiado pelo associação de investiodres da empresa FOTO: Lusa

Em comunicado, a associação congratula a administração da Cimpor "pela preocupação na defesa da protecção dos accionistas minoritários" sobre a oportunidade e as condições da oferta da InterCement (Camargo Corrêa).

 

A associação apoia a posição da empresa, nomeadamente quando esta reconhece que a "transacção cria um bloco de controlo (...) sem o pagamento de um prémio de alteração de controlo".

 

A ATM (associação dos investidores e analistas técnicos do mercado de capitais) considera ainda que a oferta dá um "tratamento desigual de accionistas, permitindo à Votorantim a escolha entre a venda das suas acções na oferta ou trocá-las por activos a um preço a determinar.

 

Para os accionistas minoritários, o preço da oferta não reflecte o valor óptimo de uma empresa alvo de uma OPA, propondo que o regulador nomeie um auditor independente que fixe esse valor, caso se mantenha a presunção de que a Camargo negociou previamente o preço com alguns accionistas.

 

Os principais accionistas da Cimpor são as brasileiras Camargo Corrêa (32,9%) e Votorantim (21,2%), bem como o empresário Manuel Fino (10,7%), que, de acordo com a nota da Cimpor enviada à CMVM, não pretende vender a sua participação.

 

No capital social da empresa estão ainda presentes a Caixa Geral de Depósitos (9,6%) e o Fundo de Pensões do BCP (10%), que já anunciaram a disponibilidade para vender as suas participações na cimenteira.

 

A InterCement divulgou, a 30 de Março, o anúncio preliminar de uma OPA sobre a totalidade do capital da Cimpor, oferecendo 5,50 euros por acção, um valor que a administração da Cimpor considerou muito baixo e que, aliado à falta de informação sobre as intenções da brasileira para o futuro da empresa, levou a que não recomendasse a venda.

 

Em contrapartida, a Cimpor convidou a InterCement a proceder a uma fusão com a cimenteira portuguesa "igualitária para todos os accionistas e que não implique o desmembramento da Cimpor", considerando que este negócio criaria mais valor para os seus accionistas.

 

O convite foi, no entanto, rejeitado pela InterCement, tendo adiantado que era "inaceitável, intempestivo, irrealista e despropositado" e que punha "em causa o futuro da própria" Cimpor.

OPA Cimpor associação de investidores Caamrgo Corrêa
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