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Correio da Manhã

Economia
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CMVM aguarda relatório da Price

Um atraso no relatório final da PriceWaterhouse está a adiar a conclusão da auditoria realizada pelo polícia da Bolsa à gestão da Portugal Telecom.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 28 de Novembro de 2014 às 14:00
Carlos Tavares, presidente da CMVM, está a terminar a auditoria à Portugal Telecom e quer mais rigor na escolha dos gestores das empresas
Carlos Tavares, presidente da CMVM, está a terminar a auditoria à Portugal Telecom e quer mais rigor na escolha dos gestores das empresas FOTO: Tiago Sousa Dias

O relatório final da consultora PriceWaterhouse Coopers à anterior gestão da Portugal Telecom (PT), em especial à aplicação de cerca de 900 milhões de euros na empresa Rioforte do Grupo Espírito Santo (GES), é o documento que falta para que a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) conclua a auditoria que abriu às decisões de Henrique Granadeiro (presidente da Comissão Executiva), Pacheco de Melo (administrador financeiro) e Zeinal Bava (presidente até julho de 2013).

Segundo apurou o CM, a consultora está atrasada um mês em relação ao prazo estabelecido para a entrega do documento à CMVM, que o deverá apreciar e notificar os envolvidos das irregularidades detetadas e das conclusões finais. Mesmo assim, fontes da CMVM adiantaram que "no caso da PT, o regulador da Bolsa pouco pode fazer". Uma das hipóteses que se têm colocado é a possibilidade de a CMVM obrigar a PT a "corrigir" as contas de 2013, acomodando as perdas registadas em consequência das aplicações na Rioforte. Outra questão que faz parte da auditoria é a de saber se foram violadas as regras de mercado nos negócios entre a PT e o GES.

Ontem, o presidente da CMVM fez um discurso muito crítico em relação aos modelos de "bom governo" seguidos pelas empresas. Nas instalações da Euronext Lisboa e no âmbito da conferência ‘Responsabilidade Social e Corporate Governance’, Carlos Tavares afirmou que "não há bons modelos de corporate governance que resistam às pessoas erradas". "A escolha das pessoas é fundamental. Os acionistas não podem demitir-se de controlar quem elegem para gerir o seu dinheiro", acrescentou aquele responsável, que admitiu ainda que "existe caminho a percorrer na questão do registo da idoneidade dos gestores" e apelou para uma "tolerância zero para os desvios à ética".

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