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Correio da Manhã

Economia
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Comerciantes com baixa expectativa

Uma curta caminhada pela Baixa de Lisboa é suficiente para dar de caras com um número considerável de lojas a tentarem persuadir os clientes com letreiros nas montras a anunciar descontos que variam entre dez e 60 por cento. Isto um dia antes da abertura oficial da época saldos, que, de acordo com a nova lei, hoje se inicia.
28 de Dezembro de 2007 às 00:00
Na rua Augusta, em Lisboa, foram muitos os comerciantes que por causa das baixas vendas fintaram a lei dos saldos, antecipando-os sob o nome de promoções, descontos ou reduções. Outros apelidaram os descontos de brindes de Natal. Sem grande sucesso.
Paula Loureiro, comerciante há vinte anos no ramo do calçado, não tem memória de um ano “tão mau em vendas” e aponta as razões: “O frio tardou a chegar e os senhores que fazem as leis lembraram-se de antecipar os saldos para 28 de Dezembro”, afirma. Para fazer frente a estas circunstâncias, a comerciante da Baixa Pombalina pôs os artigos com promoções até 50 por cento logo no início de Dezembro. “Foi a única forma de desempatar capital”, defende Paula Loureiro, para quem “o senhor que fez a nova lei não percebe nada de comércio”.
Fernanda Cardoso, responsável por um pronto-a-vestir na rua da Prata, não tem uma visão mais animadora. “Já não há expectativas algumas. É um dia de cada vez”, diz a lojista sobre os saldos que hoje arrancam, deixando um alerta: “Estão a deixar cair a Baixa”.
NOTAS SOLTAS
NOVA LEI
O diploma da nova Lei dos Saldos define que a venda em saldos se realize entre 28 de Dezembro e 28 de Fevereiro e entre 15 de Julho e 15 de Setembro.
ASAE CONTROLA
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) vai estar atenta ao período de saldos. Entre as novas regras está a obrigatoriedade de os comerciantes aceitarem todos os meios de pagamento e o facto de as vendas de produtos com defeito terem de ser anunciadas em letreiros ou rótulos.
IMOBILIÁRIO
A Remax vai acompanhar os saldos, colocando 15 por cento dos seus imóveis à venda com reduções de preços. A iniciativa “visa dinamizar o sector imobiliário, num período de maior condicionamento no acesso ao crédito e de subida das taxas de juros”.
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