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Correio da Manhã

Economia
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Comerciantes de Lisboa estão otimistas em relação às vendas de Natal

Representante da UACS considerou que as medidas de controlo da pandemia "são restritivas mas não são impeditivas",
Lusa 30 de Novembro de 2021 às 16:06
Vista de Lisboa
Vista de Lisboa FOTO: Sérgio Lemos
Os comerciantes do Chiado e da Baixa de Lisboa estão otimistas em relação às vendas de Natal e perspetivam uma dinâmica de recuperação, que se poderá aproximar dos resultados de 2019, mas prevalece "uma grande incerteza" devido à pandemia.

Com perspetivas semelhantes, a presidente da União de Associações do Comércio e Serviços da Região de Lisboa e Vale do Tejo (UACS), Lourdes Fonseca, disse que "há uma grande expectativa", sobretudo devido às novas medidas de controlo da pandemia de covid-19, que entram em vigor na quarta-feira, 1 de dezembro.

Em declarações à agência Lusa, a representante da UACS considerou que as medidas "são restritivas mas não são impeditivas", no entanto, podem provocar "alguma mudança de comportamento" por parte do consumidor, inclusive receio em andar na rua a fazer compras, o que pode fazer com que "não se verifique a retoma em termos normais de Natal".

A incerteza da evolução da pandemia faz com que as famílias "poupem mais" e há também situações de "uma diminuição efetiva do rendimento familiar", verificando-se "uma retração do consumo" nas compras de Natal, indicou Lourdes Fonseca, referindo que, apesar do impacto do contexto pandémico no poder de compra, há setores que "já estão em recuperação".

"Há quem já tenha conseguido recuperar [...], quem tenha feito o 'Black Friday' e que tenha tido bons resultados, sobretudo lojas de maior dimensão", referiu a presidente da UACS, explicando que as zonas de Lisboa que têm tido uma melhor recuperação da atividade económica são as que têm mais habitantes e que "estão mais dependentes do consumidor interno, quer da cidade, quer dos visitantes portugueses", em vez do turismo internacional.

Para o presidente da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP), Manuel de Sousa Lopes, "as perspetivas são as melhores" para o comércio durante a época do Natal nesta zona histórica de Lisboa, ressalvando que: "como é óbvio não são o que esperaríamos e que desejaríamos, mas estamos, neste momento, já num patamar e numa plataforma de vendas bastante razoável".

Neste âmbito, a ADBP fez "investimentos avultados" na dinamização da Baixa durante estas festividades, tendo disponibilizado, pela primeira vez, o Comboio de Natal, que circula pelas ruas desta zona da capital, e os mercados no Rossio e na Praça da Figueira, a que se junta ainda as iluminações, de forma a atrair a visita de "muitas famílias e, acima de tudo, de muitos consumidores".

"Estamos, neste momento, com um patamar já de vendas bastante razoável em relação a 2020, em que estivemos praticamente parados. Esperando a continuidade desses bons negócios, os nossos empresários estão entusiasmados [...], todos nós temos essa esperança que seja uma recuperação e a continuidade de uma recuperação razoável, para que em 31 de dezembro se possa dizer que a proximidade dos resultados de 2019 foi bastante acentuada e as pessoas possam fechar o ano com alguma felicidade e com alguma esperança de continuidade para 2022", declarou à Lusa Manuel de Sousa Lopes.

Ainda que a expectativa seja de aproximação dos resultados de 2019 relativamente às vendas de Natal, mas apenas nalguns setores, como a restauração e a hotelaria, a principal preocupação dos comerciantes da Baixa tem a ver com a evolução da pandemia, com a falta de confiança das pessoas para saírem à rua, com à possibilidade de medidas mais restritivas de circulação.

O presidente da ADBP realçou ainda que "o turismo tem um valor incalculável", representando 70% a 75% do consumo na Baixa de Lisboa.

Na perspetiva do presidente da Associação de Valorização do Chiado (AVChiado), Victor Silva, as expectativas em relação às vendas de Natal "são animadoras", porque esta zona histórica de Lisboa tem "bom comércio de rua" e está convidativa a um passeio pelas ruas, com as iluminações natalícias.

"As pessoas estão a vir, nota-se que há pessoas, mas há menos poder de compra", apontou Victor Silva, considerando que "é impensável" recuperar para números do Natal de 2019: "estamos muito aquém e estaremos, porque há aqui uma crise profunda e as pessoas também têm medo, têm medo do amanhã".

O presidente da AVChiado reforçou que "há uma grande incerteza" sobre a evolução da pandemia e "as últimas notícias não são favoráveis", com o aparecimento da nova variante Ómicron, pelo que "há alguma contenção" nas compras de Natal, revelando que "mesmo o 'Black Friday' foi envergonhado, não teve nada a ver com os outros anos".

"Em 2020 estivemos um mês e meio fechados, em 2021 estivemos cerca de três meses, e sem apoios, esse é o grande problema, é que passa a ideia que o comércio e a restauração, toda a gente recebeu apoios e isso não aconteceu, porque os apoios eram muito restritos e não tivemos apoio na generalidade aqui no Chiado nem da Câmara Municipal nem do Governo", lamentou Victor Silva, alertando para o encerramento de vários estabelecimentos.

O representante dos lojistas do Chiado disse que "há casas [estabelecimentos] que estão a fechar umas atrás das outras", indicando que "na Rua Nova do Almada, por exemplo, que era uma rua que já tinha os estabelecimentos abertos na totalidade, neste momento, já tem vários fechados".

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