Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
8

Comércio contra aumento

A Confederação do Comércio de Portugal (CCP) juntou-se ontem à Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) na rejeição do aumento do salário mínimo para 475 euros previsto para o próximo ano, por temer o impacto desta subida nos restantes de vencimentos.
29 de Outubro de 2009 às 00:30
José Sócrates recebeu José António Silva e restantes parceiros sociais
José Sócrates recebeu José António Silva e restantes parceiros sociais FOTO: Jorge Paula

'Este ano dificilmente aceitaremos um aumento destes, porque não há condições para isso e não é pelos 25 euros de aumento, mas sim porque nos preocupa o efeito de arrasto que isto terá nos escalões acima', afirmou José António Silva, presidente da CCP, em declarações ao Correio da Manhã, após as reuniões que os parceiros sociais mantiveram ontem com o primeiro--ministro, José Sócrates, sobre o conselho europeu de hoje e amanhã, em Bruxelas.

Embora reconheça que a existência de um acordo plurianual que prevê um salário mínimo de 500 euros em 2011 dificulta as negociações, José António Silva garante que as empresas de comércios e serviços não têm capacidade para aplicar o mesmo tipo de aumento (5%) em vencimentos superiores.

A posição da CCP é partilhada pela CIP, cujo presidente, Francisco Van Zeller, tem defendido a ausência de aumentos salariais em 2010 alegando que 'as empresas correm o risco de fechar'. Os sindicatos rejeitam categoricamente as justificações dos patrões, a quem acusam de assumir estas posições para ganharem contrapartidas por parte do Governo.

'É uma afronta que se coloquem reservas aos salários mais baixos', sustentou Carvalho da Silva, líder da CGTP, enquanto João Proença, da UGT, rejeitou 'completamente que as empresas ganhem competitividade à conta dos salários'.

MAIS 65% DOS ESTRANGEIROS SEM EMPREGO

O número de imigrantes desempregados inscritos nos centros de emprego do País aumentou 65%, face ao período homólogo, para31 525 pessoas até Agosto último,de acordo com dados divulgados ontem pelo Instituto de Empregoe Formação Profissional (IEFP).

Os estrangeiros desempregados representavam 6,3% dos 501 663 inscritos no IEFP no mesmo mês.

Entre este segmento de pessoas sem trabalho em Portugal existem 20 777 que recebem subsídio de desemprego contra 10 748 que não têm direito a qualquer prestação social, de acordo com a Segurança Social. Em Agosto do ano passado os estrangeiros com subsídio de desemprego totalizavam 12 370.

O Brasil é o país de origem de imigrantes desempregados com maior peso: representam 28,2% dos inscritos.

APONTAMENTOS

80 CÊNTIMOS POR DIA

Os 25 euros de aumento previstos para o salário mínimo nacional representam um acréscimo de cerca de 80 cêntimos por dia.

ACORDO PLURIANUAL

Em Dezembro de 2006 os parceiros sociais assinaram um acordo plurianual que previa aumentos graduais até que se alcançasse os 500 euros em 2011.

EVOLUÇÃO

Em 2006 o salário mínimo era de 386 euros, tendo passado para 403 euros em 2007 e para 426 euros em 2008 até aos actuais 450 euros.

APOIOS ESTATAIS

As confederações patronais pediram a manutenção dos apoios estatais às empresas 'pelo menos até 2011', apesar da estabilização da crise.

DISCURSO DIRECTO

"O IMIGRANTE É SEMPRE O ELO MAIS FRACO": D. António Vitalino, Bispo de Beja sobre o aumento do desemprego entre a população imigrante

Correio da Manhã – O número de imigrantes desempregados aumentou 65 por cento até Agosto, em relação a igual período do ano passado, tendo atingido as 31 500 pessoas. Como avalia estes dados?

D. António Vitalino – Trata-se de uma consequência directa da crise que o País atravessa, sobretudo em sectores como a construção civil, a área que mais imigrantes emprega. Quando o desemprego atinge os portugueses como nunca, isso acontece com mais violência ainda em relação ao imigrante. O imigrante é sempre o elo mais fraco.

– Porquê?

– Por todas as razões, que vão desde a sua deslocalização natural ao facto de o Estado saber que, por norma, não são um peso tão grande para a Segurança Social. É que, como se sabe, o imigrante não baixa os braços e quando fica sem emprego em Portugal, regressa quase sempre à sua terra natal.

– São muitos os que têm regressado ao seu país de origem?

– Pelos dados que temos, o número de estrangeiros em Portugal tem vindo a diminuir muito nos últimos tempos. É natural. Eles vieram à procura de trabalho e de melhores condições de vida. Não havendo trabalho, é natural que o procurem noutro lado, começando por regressar à terra. Com os portugueses que emigraram e emigram, passa-se a mesma coisa.

– Como presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, acha que os dados do Instituto de Emprego correspondem à realidade?

– Não. Longe disso. Não tenho dúvidas que o número de imigrantes sem emprego em Portugal é pelo menos o dobro do que dizem os números. É que os ilegais existem em grande número e esses não contam para as estatísticas.

– Têm aumentado os imigrantes que pedem ajuda à Igreja?

– Tem. E de forma muito particular os que necessitam dos bens mais básicos, como a alimentação.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)