Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
9

Comissão de Trabalhadores do INE critica clima de suspeição generalizada sobre o instituto

Comissão considera "altamente improvável" que tenha havido uma antecipação dos dados ao Governo sobre o crescimento do PIB.
Lusa 27 de Janeiro de 2022 às 16:34
INE
INE FOTO: João Cortesão
A Comissão de Trabalhadores do INE criticou hoje o clima de "suspeição generalizada" sobre o instituto, considerando "altamente improvável, se não mesmo impossível", que tenha havido uma antecipação dos dados ao Governo sobre o crescimento do PIB.

Em causa está uma polémica durante a campanha eleitoral, com vários partidos a acusarem o primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, de ter avançado antecipadamente dados sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021, que serão publicados dia 31, a seguir às eleições legislativas, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em comunicado, a Comissão de Trabalhadores (CT) do Instituto Nacional de Estatística (INE) "considera inadmissível o ambiente de suspeição generalizada relativamente à "antecipação de dados", de forma não oficial, a membros do Governo ou quaisquer outras entidades públicas ou privadas, que recai sobre todos os trabalhadores da autoridade estatística nacional, causando danos reputacionais significativos à imagem pública da organização".

A CT "refuta veementemente a hipótese de fuga de informação" e diz estar "inteiramente disponível para colaborar num eventual apuramento de responsabilidades que venha a ser desencadeado".

"A existir "divulgação de informação antecipada", sob embargo, (possibilidade que consideramos altamente improvável, senão mesmo impossível), esta não terá tido origem nos trabalhadores do INE", garante a CT.

No documento, a organização representativa dos trabalhadores sublinha que, enquanto autoridade estatística nacional, o INE rege-se pelo Código de Conduta para as Estatísticas Europeias.

De acordo com o código de conduta, "todos os utilizadores têm acesso às estatísticas à mesma hora", cita a CT, acrescentando que "qualquer acesso antecipado à informação por parte de um utilizador externo é limitado, devidamente justificado, controlado e publicitado".

Na quarta-feira, o secretário-geral do PS afirmou que nunca citou o INE quando revelou os dados de crescimento económico de 2021, defendendo que se tratam de previsões que tem repetido "várias vezes" durante a campanha.

António Costa falava aos jornalistas durante uma arruada em Fafe, tendo reagido às declarações do INE ao canal televisivo CNN Portugal que, depois de o líder socialista ter revelado na terça-feira que o país ia crescer 4,6%, afirmou que "ainda não apurou o resultado do 4.º trimestre de 2021" e que "não antecipa resultados aos membros do Governo".

"Eu nem sei o que é que o INE tem a ver com a questão, porque eu não citei INE nenhum, eu disse quais são as previsões que existem e que é a previsão com que temos estado a trabalhar. Agora, o INE revelará os seus números quando tiver os seus números, não percebo essa questão sequer", respondeu António Costa.

Questionado se não se trata de um "trunfo" durante a campanha eleitoral, o líder socialista respondeu: "Isso é um número que eu tenho repetido por várias vezes: as previsões que indicam que tivemos no ano passado um crescimento da economia de 4,6% e que, este ano, temos uma previsão de crescimento da economia de 5,8%".

"Já referi várias vezes este número. O que é que surgiu de novo agora, não sei. Este número é número que tenho utilizado várias vezes pelo menos desde a campanha eleitoral", reforçou.

Na terça-feira, durante uma arruada em Coimbra, António Costa afirmou que, apesar da crise sanitária provocada pela covid-19, o país cresceu 4,6% em 2021 e salientou que a generalidade dos organismos internacionais estima um crescimento de 5,8% este ano.

Ao canal televisivo CNN Portugal, o INE enviou uma nota onde indica que, "em conformidade com a política de difusão seguida e que consta no portal", não antecipa "resultados aos membros do Governo".

"O INE ainda não apurou o resultado do 4.º trimestre de 2021 e, consequentemente, a variação média anual ainda não existe. Conforme o calendário habitual, só no próximo dia 31 de janeiro se saberá qual a primeira estimativa do INE", indicou.

Em outubro, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2022, o Governo estimou um crescimento do PIB em 2021 de 4,8%.

Ver comentários
}