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Correio da Manhã

Economia
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“Complexidade do grupo era enorme”

O antigo administrador do BPN, José Pinho da Silva, admitiu hoje que a complexidade da SLN, o grupo onde se inseria o banco, tornava difícil a distinção entre accionistas e não accionistas das empresas detidas pela casa mãe. Segundo o ex-gestor, que também foi responsável pela direcção de risco do banco, algumas avaliações à concessão de crédito acabaram por ser mais “benevolente”.
17 de Março de 2009 às 17:54
“Complexidade do grupo era enorme”
“Complexidade do grupo era enorme” FOTO: D.R.

“Notei, quando cheguei, que a complexidade do grupo [SLN] era enorme”, explicou aos deputados da comissão de inquérito ao BPN, sublinhando que “era difícil saber quem era accionista e quem não era".

José Pinho da Silva admitiu ainda que só a reunião no Banco de Portugal, convocada pelo ex-vice-governador António Marta, lhe deu uma percepção clara sobre o "a relação entre os accionistas e o banco". “Essa foi a questão nuclear daquela reunião”, disse.

 

O antigo administrador explicou ainda que “não conhecia de facto as empresas que eram do grupo e aquelas que tinham testa de ferro", revelando: “Admito que algumas análises de risco tenham sido olhadas com alguma benevolência."

 

Aos deputados, o ex-gestor assumiu que a decisão final sobre a concessão de crédito não cabia à direcção de risco. “A direcção de risco de crédito não tinha uma decisão definitiva”, afirmou, acrescentando: “Admito que, directamente,  o senhor presidente [Oliveira e Costa] pode ter despachado operações que eu recusei." Aliás, o último nível da análise de risco cabia à administração do banco. Neste patamar eram aprovadas operações de montante mais elevado ou que suscitavam divergências na instituição. O ex-gestor que foi ainda presidente da Fincor afirmou ainda que "Aquilo que sei e soube da Fincor é que era uma sociedade correctora. Ninguém me disse nada sobre as actividades anteriores, a forma como foi adquirida e o  que levou com ela”, rejeitando ainda alguma vez ter ouvido falar do Banco Insultar

 

Apesar de ter sido, entre 2005 e 2008, responsável pela direcção de Operações, José Pinho da Silva garante nunca ter ouvido falar do Banco Insular, nem mesmo como banco correspondente do BPN. O ex-gestor entrou no BPN em 2003, depois de ter passado pelo Banco Totta & Açores, e saiu em Janeiro de 2008, “por razões pessoais”.

 

 

 

 

 

 

 

 

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