Barra Cofina

Correio da Manhã

Economia
1

CONFIANÇA DOS PORTUGUESES DE RASTOS

Sem esperança na evolução da economia, com a certeza do aumento do desemprego, os cidadãos estão desencantados. Pelo terceiro mês consecutivo, o índice de confiança dos consumidores caiu.
10 de Julho de 2002 às 01:52
João Salgueiro
João Salgueiro
De acordo com os números do Instituto Nacional de Estatística (INE), ontem divulgados, os portugueses estão agora tão pessimistas (com aquele indicador a atingir os 38,35 pontos negativos) como em Julho de 1993, altura em que Portugal se encontrava em recessão económica (com o indicador a registar um resultado negativo de 36,55 pontos).

Se recuarmos a 1986, data em que o INE começou a disponibilizar este tipo de informação, então o valor registado no mês passado é o mais baixo de sempre.
O INE utiliza o indicador de confiança dos consumidores em média móvel de três meses, que em Junho (segundo trimestre) de 2002 registava um valor de menos 31,72 pontos, o valor mais baixo desde o trimestre terminado em Agosto de 1994, em que ficou em menos 31,83 pontos.

O valor mensal do indicador de confiança dos consumidores recuperou entre Fevereiro e Abril e 2002, assumindo nesse mês um valor de menos 23,23 pontos, para cair mais de 10 pontos em Maio, para menos 33,59 pontos, e quase cinco pontos em Junho, para 38,35 pontos.

‘‘Temos o nosso mal e o dos outros’’

“Enquanto não se conseguir trabalhar a sério para se mudar o País, as expectativas dos portugueses vão-se agravando. Porque temos o nosso mal e o dos outros”.

Com estas palavras tão simples, João Salgueiro, presidente da Asociação Portuguesa de Bancos (APB), sintetiza na perfeição o actual clima de pessimismo e desencanto que reina entre os empresários e os consumidores portugueses.

Para este economista, que já foi presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), “há boas razões internacionais para uma quebra de confiança”, mas isto não explica, só por si, o clima de desconfiança que está instalado em Portugal.

O problema, segundo João Salgueiro, é que “o nosso modelo económico não consegue responder aos desafios internacionais”. E, assim sendo, “enquanto não mudarmos de atitude, as expectativas não melhoram”, sublinha. Com estas palavras, o presidente da APB alerta implicitamente para a necessidade de introduzir sérias reformas em Portugal.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)