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Constitucional alemão rejeita providência cautelar e emissão de dívida na UE pode avançar

Presidente alemão já pode assim assinar a lei que permite à Comissão Europeia emitir dívida.
Correio da Manhã 21 de Abril de 2021 às 09:31
Comissão Europeia
Comissão Europeia FOTO: Reuters
A providência cautelar contra a Lei de Ratificação da Decisão de Recursos Próprios da UE foi rejeitada pelo Tribunal Constitucional alemão, foi esta quarta-feira anunciado. Os recursos contra o plano de recuperação pós-covid-19 da no valor de 750.000 milhões de euros foram assim rejeitados, dando 'luz verde' para que a Alemanha o ratifique.

O presidente alemão já pode assim assinar a lei que permite à Comissão Europeia emitir dívida.

As duas câmaras do Parlamento alemão tinham aprovado o fundo em 25 e 26 de março, embora uma iniciativa em torno do fundador da Alternativa de extrema-direita para a Alemanha tivesse apresentado um recurso de emergência ao TC.

Numa primeira decisão, o TC tinha ordenado a suspensão do processo de ratificação -- apenas faltava a assinatura do presidente, Frank-Walter Steinmeier -- até ser proferida uma decisão.

Os queixosos argumentaram que os tratados europeus proíbem os Estados-membros da UE de contrair dívidas em conjunto.

O Governo alemão e a Comissão Europeia, por seu lado, invocaram o Artigo 122, que prevê a possibilidade de incorrer em dívidas em caso de catástrofes naturais ou acontecimentos extraordinários num ou mais Estados-membros.

Agora Steinmeier pode assinar a lei e a Alemanha pode atribuir a sua parte ao fundo de reconstrução, embora esteja ainda pendente outra iniciativa de inconstitucionalidade.

Esta iniciativa argumenta que o fundo pode ir contra o princípio constitucional que determina a soberania orçamental do Parlamento alemão.

Na decisão de hoje, o TC alemão decidiu que um primeiro exame não demonstrou uma elevada probabilidade de que tal fosse o caso, embora ainda não haja uma decisão final sobre a matéria.

O fundo europeu de reconstrução será dotado com 750.000 milhões de euros, parte dos quais serão concedidos aos Estados-membros da UE sob a forma de empréstimos e parte sob a forma de subvenções a fundo perdido.

Parte do dinheiro deve ser financiado através da emissão de dívida, que pode começar mesmo sem o fundo ser ratificado pelos 27 países da UE.

O plano, que foi cuidadosamente negociado no verão passado pela UE27, foi concebido para lidar com as consequências económicas da nova pandemia de coronavírus na Europa.

Baseia-se num mecanismo sem precedentes de dívida comum para todos os Estados-membros e parte do dinheiro será pago sob a forma de subvenções (312.500 milhões), especialmente para os países que sofreram o impacto mais pesado.

A Comissão Europeia apelou para uma aceleração deste processo, especialmente porque a pandemia continua em força e continua a atingir a economia europeia, onde a campanha de vacinação está atrasada.

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