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Correio da Manhã

Economia
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Construção em crise dispara desemprego

O sector da construção civil vai continuar em recessão pelo menos até ao final do ano, com o desemprego a subir 74%. A previsão da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (Fepicop) surge no dia em que o sindicato do sector reclama melhores condições de trabalho, de modo a evitar mortes.
20 de Agosto de 2009 às 00:30
O sindicato da Construção Civil do Norte está preocupado com a falta de segurança no sector
O sindicato da Construção Civil do Norte está preocupado com a falta de segurança no sector FOTO: Carlos Almeida

Segundo a Fepicop, "a situação financeira das empresas de construção mantém-se francamente negativa", com o número de trabalhadores no sector "a reduzir-se de forma acentuada" e o desemprego na construção em valores "muito acima da média global". A taxa de crescimento de desempregados do sector disparou 74% nos últimos três meses, enquanto esse crescimento economia nacional foi de 29%.

Sem trabalho em Portugal, cresce o número de trabalhadores que vai para o estrangeiro trabalhar. França, Holanda, Bélgica, Angola e Marrocos são lugares de trabalho cada vez mais frequentes para os pedreiros e serventes portugueses, dado que o mercado imobiliário em Espanha também está em queda.

O sindicato da Construção Civil do Norte está, contudo, preocupado com o perigo das viagens em carrinhas de nove lugares e exige medidas para evitar acidentes. "Se em Espanha morreram muitos trabalhadores nas estradas, sendo agora o destino França, poderão morrer muitos mais, dada a distância que têm de percorrer", refere o sindicato que vai propor que as deslocações passem a ser feitas de avião, pagas pelas empresas, mensalmente, ou de autocarro.

PORMENORES

SALÁRIOS

Os 539 euros que um operário qualificado ganha em Portugal ficam muito longe dos 1700 euros pagos em Espanha e dos 2500 auferidos em França.

PRECARIDADE

O sindicato estima que 60 mil emigrantes a trabalhar na construção civil estejam em situação precária, sem subsídios, horas extras, férias ou a fazer descontos.

MORTES

Entre 2004 e 2008 morreram 36 trabalhadores nas estradas espanholas e nove em obras. As longas viagens são feitas em carrinhas de nove lugares.

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