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Correio da Manhã

Economia
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CONSUMIDORES CADA VEZ MAIS PESSIMISTAS

A confiança dos consumidores portugueses está a cair praticamente desde a tomada de posse do actual Governo. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), há oito meses que o indicador manifesta tendência de queda, tendo registado em Janeiro um novo mínimo histórico: menos 43 pontos.
7 de Fevereiro de 2003 às 00:00
O indicador de confiança dos consumidores registou, no trimestre terminado em Janeiro, menos 42,2 pontos da série iniciada em 1986. No primeiro mês do ano, o indicador apresentou ainda uma evolução negativa face a Dezembro, atingindo o valor mais baixo de toda a série, revela o inquérito mensal de conjuntura aos consumidores do INE.

O resultado obtido ficou a dever-se ao comportamento negativo, evidenciado, pelas opiniões sobre as perspectivas de evolução do desemprego e da oportunidade de constituir poupança.

As respostas às questões sobre as perspectivas da situação económica das famílias e do País foram em Janeiro menos negativas do que em Dezembro, mas não o suficiente para contrariar a tendência global do indicador de confiança.

Um quadro pessimista continua também a ser observado nas respostas às questões sobre as intenções de aquisição de automóvel e compra ou construção de habitação própria, adianta o INE. Aliás, as expectativas das famílias inquiridas pelo INE prolongaram o perfil descendente iniciado no terceiro trimestre de 2001, tendo as respectivas séries alcançado novos mínimos.

ORÇAMENTOS DOMÉSTICOS ESMAGADOS

Para o presidente da Associação Portuguesa do Direito ao Consumo (APDC), Mário Frota, o pessimismo dos consumidores “tem a ver com o aumento dos preços dos bens e serviços essenciais, que subiram mais que os índices salariais”.

Na sua opinião, 2003 será um ano de “pressão para os consumidores” devido à perda de poder de compra. É que os aumentos dos salários não acompanharam a inflação, “esmagando os orçamentos domésticos”. Além disso, Mário Frota defende que o Governo deixou passar a ideia de que 2003 seria o ano de “maiores apertos”, fazendo crer aos consumidores que não poderiam ter uma perspectiva lisonjeira sobre o que lhes reserva este ano económico.

“Há quem afirme que 2004 seja o ano da retoma” mas o cenário para o corrente ano é de pessimismo geral, sublinha.
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