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Correio da Manhã

Economia
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Consumo paga caro

Quem pede um crédito ao consumo paga mais do dobro em juros do que num empréstimo para a compra de casa. A diferença é justificada com a garantia dada pelo empréstimo, mas dentro do próprio consumo varia de acordo com o prazo do crédito, sendo que naqueles que têm um prazo mais alargado os juros chegam a ser o triplo dos cobrados na habitação.
26 de Novembro de 2006 às 00:00
Os juros pelos créditos ao consumo são, em média, o dobro dos cobrados nos empréstimos para a compra de habitação
Os juros pelos créditos ao consumo são, em média, o dobro dos cobrados nos empréstimos para a compra de habitação FOTO: Tiago Sousa Dias
De acordo com o Boletim Estatístico de Novembro do Banco de Portugal, a Taxa Anual de Encargos Efectiva Global (TAEG) média para um crédito à habitação situava-se, no passado mês de Setembro, nos 4,83 por cento, enquanto a mesma taxa no crédito ao consumo disparava para os 10,42 por cento. Já no crédito ao consumo com prazo de fixação inicial de taxa de um a cinco anos, os juros saltam para os 14,41 por cento.
Nos empréstimos com prazo de fixação inicial de taxa até um ano a diferença é um pouco menor: 4,20 por cento no crédito à habitação e 7,43 por cento no crédito ao consumo.
O mesmo acontece com os créditos para outros fins. Apesar de as diferenças não serem tão elevadas como em relação ao consumo, os créditos com prazo inicial de taxa até um ano pagam de juros 6,75 por cento.
Os economistas justificam que esta diferença se justifica com a garantia dada pelo empréstimo. Enquanto num crédito à habitação a casa fica hipotecada e o seu valor é, normalmente, superior ao montante pedido ao banco, este tem sempre a garantia de recuperar o seu dinheiro caso o cliente deixe de cumprir.
Já no crédito ao consumo, a caução fornecida é, habitualmente, uma grantia pessoal – ou livrança – logo de menor valor, o que faz disparar os juros.
As diferenças nas taxas de juros cobradas pelos diferentes empréstimos também são influenciadas pelo aumento das taxas directoras ditado pelo Banco Central Europeu (BCE), que há cerca de um ano deu início a uma política monetária mais restritiva.
Entre Julho de 2005 e Setembro passado, a TAEG média cobrada no crédito à habitação 0,92 por cento – dos 3,91% para os 4,83%. Enquanto no crédito ao consumo, o aumento foi de 1,26 por cento – dos 9,16% para os 10,42%. Desde Dezembro passado, o BCE subiu as taxas de juros em 0,25 pontos para os 2,25 por cento e repetiu o aumento três vezes ao longo deste ano até aos actuais 3,25 por cento. Novo aumento de 0,25 pontos é esperado para o próximo mês de Dezembro.
A VANTAGEM DE JUNTAR CRÉDITOS
A consolidação de vários créditos num único empréstimo pode ser uma solução para baixar os encargos mensais com prestações, mas não deve ser feita com base no aumento das taxas de juros, alerta a Associação de Defesa do Consumidor – Deco.
“Como há uma subida das taxas variáveis do crédito à habitação, isso pode fazer com que as famílias precisem de liquidez a curto prazo e a consolidação poderá ser uma solução, principalmente se a situação for incomportável”, declarou ao Correio da Manhã Vinay Pranjivan.
O economista da Deco adiantou, contudo, que esta solução não deve ser procurada apenas por causa da subida das taxas de juros e alertou para outros custos que devem ser tidos em consideração. “Há custos associados à consolidação do crédito, como a amortização dos empréstimos existentes e as taxas de amortização cobradas, por exemplo, que devem ser bem avaliados”, alertou Pranjivan, salientando que quando há incertezas sobre o montante de prestações que podem suportar os agregados familiares devem procurar a ajuda junto de centros como o Gabinete de Apoio ao Sobreendividamento daquela organização.
APONTAMENTOS
PRESTAÇÕES
Quando há uma consolidação de vários créditos, os encargos mensais com prestações podem diminuir, mas os juros a pagar por valores menores em prazos mais alargados aumentam substancialmente, de acordo com dados da Deco.
HABITAÇÃO
A consolidação do crédito parte do princípio que existe um empréstimo para a compra de casa no qual são incorporados os restantes empréstimos. A Deco aconselha as famílias a negociarem a consolidação com o banco no qual têm o crédito à habitação.
CUSTOS
Uma nova escritura, a abertura de processo, a avaliação do imóvel e os impostos são alguns dos custos associados à consolidação do crédito.
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