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Correio da Manhã

Economia
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Conta da luz sobe 15,7%

As famílias portuguesas vão pagar mais 15,7 por cento na factura da electricidade a partir de 1 de Janeiro de 2007. Esta é a proposta da entidade reguladora do sector (ERSE). Em termos práticos, numa conta mensal de 100 euros o consumidor vai passar a desembolsar 115,7 euros.
17 de Outubro de 2006 às 00:00
As empresas e indústria vão suportar aumentos médios de 7,8 por cento na conta da electricidade
As empresas e indústria vão suportar aumentos médios de 7,8 por cento na conta da electricidade FOTO: D.R.
Esta actualização dos preços deve-se, segundo a ERSE, a três ordens de razão: o aumento das tarifas de energia eléctrica limitado à taxa de inflação, a subida do preço do petróleo e a alteração legislativa do regime especial das energias renováveis.
De acordo com a proposta da entidade reguladora, o aumento global do preço da luz (consumidores domésticos, empresas e indústria) é de 12,4 por cento.
As empresas e indústria vão suportar aumentos médios de 7,8 por cento. Neste grupo, a indústria será a mais penalizada, com uma subida na ordem dos 9,3 por cento.
A autoridade do sector eléctrico diz que os consumidores domésticos vão pagar, em média, 14,4 por cento.
No entanto, a maior factura (15,7%) vai recair sobre as famílias que consomem menos de 20 kVA (kilo volts ampere), ou seja, 97,4 por cento dos consumidores domésticos.
Os consumidores domésticos cujo consumo ascende os 20 kVA vão pagar mais 8,9 por cento.
Esta proposta, para as tarifas de electricidade de 2007, segue agora para o Conselho Tarifário (composto pelos vários operadores em Portugal) que deverá emitir um parecer até 15 de Novembro. A ERSE procederá, depois, à aprovação dos valores finais.
DÉFICE PAGO A PRESTAÇÕES
O aumento das tarifas limitado à taxa de inflação e a subida do preço do petróleo – que fez disparar os custos de produção e comercialização de electricidade – aliados à mudança no regime especial das fontes de energias renováveis, geraram um défice de 399 milhões de euros, mais juros, a ser reposto já a partir de 2007.
Para tal a proposta da ERSE define que o montante do défice a eliminar no próximo ano é de 132 milhões de euros, ou seja, 33 por cento do montante total. Nos anos seguintes ficam por recuperar 264 milhões de euros (valores actualizados para 2007).
A subsidiação dos consumidores em baixa tensão aos restantes consumidores será de 19 milhões de euros, lê-se no comunicado da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
O QUE JÁ MUDOU
LIBERALIZAÇÃO
A 4 de Setembro último o mercado de electricidade ficou totalmente liberalizado, com o sector dos consumidores domésticos a ficar disponível para a entrada de novos comercializadores. Porém, ainda nenhuma empresa entrou na corrida neste mercado.
CONCORRÊNCIA
No final de 2005, cerca de 13 000 clientes, representando aproximadamente 21 por cento do consumo total nacional, tinham já optado por fornecedores alternativos.
NOVO TARIFÁRIO 5D
A EDP lançou, a 1 de Setembro, o tarifário 5D dirigido a consumidores com uma potência contratada superior a 6,9 kVA (kilo volts ampere), o que deixa de fora quase cinco milhões de consumidores. Cinco mil clientes já aderiram a este tarifário.
MAIS RENOVÁVEIS
Cerca de 1,8 pontos percentuais do aumento da electricidade deve-se aos sobrecustos das energias renováveis. Os clientes domésticos vão pagar a quase totalidade dos sobrecustos com esta energia.
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