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Correio da Manhã

Economia

Contas forjadas por Salgado

Machado da Cruz falou num documento de contabilidade paralela.
Pedro H. Gonçalves 18 de Abril de 2015 às 01:37
Machado da Cruz, ex-contabilista do GES
Machado da Cruz, ex-contabilista do GES FOTO: Bruno Colaço
Ricardo Salgado forjou as contas da Espírito Santo International (ESI) através de uma folha de Excel, no próprio escritório, no 15º andar da sede do BES, em Lisboa. A revelação foi feita pelo contabilista do Grupo Espírito Santo (GES) aos deputados da comissão de inquérito ao caso BES, audição que decorreu à porta fechada .

De acordo com Machado da Cruz, escreve o ‘Observador’, havia um documento de contabilidade paralela com os dados da real situação financeira da ESI que era atualizado todos os meses. Mas este documento apenas chegava a Ricardo Salgado e ao controller financeiro do GES, José Castella. Para ocultar os prejuízos de 1,3 mil milhões de euros, as contas oficiais eram forjadas num documento de Excel no computador de Ricardo Salgado, feita a pedido do próprio. Segundo o contabilista, o antigo banqueiro deu-lhe uma ordem direta para não assumir esta realidade e afirmar perante um órgão interno de auditoria que se tratava de um erro. A exigência, cumprida por lealdade, era clara: o problema nas contas era um erro, logo não podia ser premeditado. O contabilista, ainda segundo o ‘Observador’, contou que não podia contrariar o pedido de Salgado e apontar-lhe as culpas, sob pena de fazer implodir todo o Grupo Espírito Santo. A folha de Excel que começou a ser forjada em 2008, ao esconder 180 milhões, continuou a falsificar os dados reais todos os meses, até atingir os 1,3 mil milhões de euros de buraco que existia no final de 2013.
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