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Correio da Manhã

Economia

CORRIDA AO OLIVAL

A decisão da Comissão Europeia de subsidiar a plantação dos 30 mil hectares de novos olivais em Portugal, uma vitória política arrancada a ferros pelo ministro da Agricultura em Maio, desencadeou uma corrida desenfreada às autorizações para plantar olival.
18 de Julho de 2004 às 00:00
A procura é tão elevada que Sevinate Pinto já fixou o dia 21 de Julho como prazo limite para a apresentação de declarações de intenção de plantação.
Com os olivicultores espanhóis a revelarem um crescente interesse em investir neste sector no Baixo Alentejo, a soma entre os cerca de 16 mil hectares já cultivados e a concessão de autorizações de intenção para plantação ronda os 34 mil hectares, mais dez por cento do que os 30 mil hectares concedidos por Bruxelas a Portugal. Os principais responsáveis por este repentino interesse no olival novo são os olivicultores espanhóis, que não param de comprar terra no baixo Alentejo.
Atraídos pelos subsídios à plantação e à produção para o olival novo e pela qualidade superior do azeite português, os produtores espanhóis estão a pagar 10 mil euros por hectare de terra, se os proprietários tiverem obtido do Ministério da Agricultura autorização para plantarem novos olivais. “Os espanhóis investem aqui 12.500 euros por hectare e, ao fim de quatro anos têm quatro vezes mais do que o investimento que fizeram. E os portugueses ainda não perceberam isso”, diz o presidente da Federação Nacional das Cooperativas de Azeite (Fenazeites).
Quem está a investir no Baixo Alentejo, segundo Aníbal Martins, “são os melhores olivicultores espanhóis, os que melhor dominam as novas técnicas de plantação”, cujos olivais intensivos produzem dez toneladas de azeite por hectare no mínimo e 15 toneladas no máximo”. É graças a estes olivicultores espanhóis que Portugal conseguirá, em grande parte, plantar até 2006 a sua quota de 30 mil hectares de olival novo. Para já, frisa o presidente da Fenazeites, “dos cerca de 16 mil hectares que não estão ainda plantados, metade não será plantado”. O que obriga o Ministério a avaliar quem quer, de facto, plantar olival.
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