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Correio da Manhã

Economia
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Corrida aos bens da Afinsa

Já começou a corrida aos bens da Afinsa em Portugal. Fernandes da Silva, da sociedade de advogados PCMS, disse ao CM que, nos últimos dias, foi contactado por alguns clientes da empresa espanhola que lhe pediram para os ajudar a recuperar o capital que investiram. “Neste momento, estamos a tentar localizar bens com valor patromonial da Afinsa para depois avançarmos com uma apreensão/ /arresto judicial.”
19 de Maio de 2006 às 00:00
Fernandes da Silva assegura que já está a tentar localizar património da Afinsa
Fernandes da Silva assegura que já está a tentar localizar património da Afinsa FOTO: Octávio Lopes
Fernandes da Silva adiantou ainda existir o “justo receio” de que seja perdida a “garantia de retorno” das verbas que os investidores entregaram à Afinsa. “Por enquanto, a indicação que tenho é que, a nível privado, ainda não foi decretado qualquer arresto aos bens da empresa espanhola. Mas já sei que o Ministério Público ordenou o congelamento das contas bancárias da Afinsa.”
O advogado da PCMS revelou, também, que a sociedade, com a colaboração dos investidores que a procuraram, já anda a tentar descortinar bens da Afinsa que estejam desonerados: “Estamos na pista de alguns desses bens, nomeadamente imóveis, carros e quotas em sociedades. Enfim, de tudo o que tenha valor patrimonial.”
Quanto ao número de investidores que lhe pediram ajuda, Fernandes da Silva não o quis revelar, por questões de ordem deontológica. “Contudo, posso avançar que, em causa, estão montantes de algumas dezenas de milhares de euros investidos em selos.”
Em relação ao perfil dos investidores da Afinsa que lhe pediram ajuda, o advogado afirmou: “Temos pessoas na casa dos 30 anos e outras de meia idade. Os mais novos não investiram a totalidade das suas poupanças, o que não sucedeu com os mais velhos. Estes estão mais preocupados, dado que em causa estão as poupanças de uma vida de trabalho.”
GOVERNO NÃO AJUDA
O ministro das Finanças afirmou que o Governo não pode nem deve fazer nada para apoiar a resolução dos problemas dos investidores envolvidos no caso de suposta fraude relativamente às empresas Afinsa e Fórum Filatélico.
Se o Governo prestasse ajuda a esses investidores “seria um incentivo para que surgissem outras entidades” a procederem da mesma forma, advogou Teixeira dos Santos à margem de uma conferência na Ordem dos Economistas, que se realizou na quarta-feira em Lisboa.
POLÉMICA COM SELOS DA ONU
A valiosa colecção filatélica da ONU está nas mãos de uma filial da Afinsa depois de vários funcionários da organização a terem colocado à venda há apenas três anos, na Suíça. Desde o início que esta venda esteve envolvida em polémica, uma vez que a colecção foi posta no mercado sem o consentimento do secretário-geral da ONU, Kofi Annan. A colecção foi adquirida, em 2003, por Greg Manning, administrador de uma filial da Afinsa, a Casa David Feldman.
A ONU, note-se, é a única organização internacional autorizada a emitir selos que, de acordo com os peritos, são verdadeiras obras de arte. A organizaão emitiu mil selos diferentes desde 1951 e, além destes, possuía uma colecção com milhares de peças.
Desde a altura da venda que o negócio está a ser investigado pela própria organização, uma vez que a venda de material histórico da ONU depende da autorização do seu secretário-geral.
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