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Correio da Manhã

Economia
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Corte de 1,5% no subsídio de férias

Num salário de 1500 euros, 45 vão para a ADSE.
3 de Junho de 2011 às 00:30
Os funcionários já descontam 1,5% para a ADSE, e agora esse desconto é extensível aos subsídios
Os funcionários já descontam 1,5% para a ADSE, e agora esse desconto é extensível aos subsídios FOTO: Pedro Catarino

Todos os funcionários públicos, no activo ou reformados, vão sofrer um corte no subsídio de Férias, que é pago com o ordenado de Junho, de 1,5 por cento. O motivo é que o Orçamento do Estado de 2011 estipulou que os descontos para a ADSE se apliquem sobre os subsídios de férias e de Natal.

Ao que o CM apurou, os serviços que processam os vencimentos já estão a preparar essa cobrança de 1,5 por cento do subsídio. As novas regras implicam que não só os empregados do Estado que já se aposentaram tenham de descontar a 14 meses para a ADSE, mas também os funcionários públicos no activo que entraram para o Estado antes de 2009 e que até agora descontavam apenas a 12 meses. Num salário de 1500 euros brutos, são menos 22,5 euros no ordenado. E, como em Junho são pagos dois ordenados, os funcionários públicos que beneficiem da ADSE vão perder 45 euros.

Para o presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), "o futuro é negro". Bettencourt Picanço considera que aplicar este desconto da ADSE aos subsídios de férias e de Natal de todos os funcionários públicos é "mais uma perda de remuneração" com a qual os trabalhadores começam a "fazer contas de como sobreviver com a realidade de cortes no salário".

Estes novos descontos representam a tentativa do Estado de equilibrar os gastos com o subsistema de saúde dos funcionários públicos. A despesa da ADSE subiu seis por cento em 2010 em relação ao ano anterior. No ano passado, a ADSE gastou 468,85 euros por cada beneficiário, segundo o relatório de actividades de 2010. Os descontos adicionais para a ADSE acontecem num ano em que não só os salários ficaram congelados como houve cortes progressivos nos vencimentos acima de 1500 euros, progressões congeladas e sem prémios de desempenho. As contribuições para a ADSE irão gerar uma receita na ordem dos 600 milhões de euros em 2011, segundo estimativas do director-geral deste subsistema de saúde. Dessa receita, cerca de 200 milhões de euros resultam dos descontos dos trabalhadores.

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