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Correio da Manhã

Economia
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Costa responde a Passos que défice ainda seria melhor sem quebra no investimento

Líder do PSD tinha criticado o Governo por cumprir o défice orçamental cortando no investimento público.
26 de Abril de 2017 às 16:52
O primeiro-ministro, António Costa
António Costa
António Costa
O primeiro-ministro, António Costa
António Costa
António Costa
O primeiro-ministro, António Costa
António Costa
António Costa
O líder do PSD acusou esta quarta-feira o Governo de "contradição total" por cumprir o défice orçamental cortando no investimento público, crítica negada pelo primeiro-ministro, ao sustentar que o défice "seria melhor e não pior" com mais investimento.

No debate quinzenal com António Costa, Pedro Passos Coelho retomou uma crítica que tem vindo a fazer às contas do Governo, dizendo que 0,9% da quebra do défice se deveu aos cortes no investimento público registados no ano passado em relação ao verificado em 2015.

"Uma das principais variáveis de ajustamento orçamental foi não o que tinha dito no Orçamento do Estado mas o corte no investimento público. E aqui a contradição da sua parte é total", acusou o líder do PSD.

Na resposta, António Costa disse que "não é verdadeira a tese de que o corte no investimento foi a forma de cumprir o défice" e justificou a quebra no investimento em 2016 com "um problema grave de transição de quadros comunitários".

"O investimento é financiado pelos fundos comunitários e ausência de despesa significa sobretudo ausência de receita. Mais, como a receita é paga à cabeça e a despesa é distribuída no tempo, se tivéssemos tido mais investimento, teríamos tido mais receita e não teríamos tido mais despesa. Teríamos tido melhor défice e não pior défice", assegurou o primeiro-ministro.

António Costa aproveitou para saudar o líder do PSD por se "ter rendido aos benefícios" do investimento público e salientou que este vai aumentar 21% este ano.

Quanto ao valor do défice, que ficou nos 2% no ano passado, o primeiro-ministro acusou Passos Coelho e a ex-ministra das Finanças de se terem enganado ao considerá-lo aritmeticamente impossível.

"Se há contradição é entre os resultados que alcançámos e o que vossa excelência previu que íamos alcançar", afirmou.

Na sua intervenção, Passos Coelho aproveitou para criticar também o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, que hoje abriu o debate quinzenal acusando o Governo de contradição entre as políticas de cumprimento das metas da UE e a necessidade de crescimento, tendo Costa respondido que apenas havia tensão.

"Deixe-me arbitrar essa questão dizendo que há contradição, desde logo pelo deputado Jerónimo de Sousa, que na oposição achava isso absolutamente insustentável e agora no Governo pensa de outra maneira, revela mais alguma simpatia, sensatez", criticou Passos Coelho.
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