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Correio da Manhã

Economia

CP só tem metade dos comboios a funcionar

Governo diz ser "fantasioso" qualquer cenário de retirar a empresa da esfera pública.
Wilson Ledo 30 de Julho de 2018 às 01:30
Pedro Marques, ministro do Planeamento
Carlos Nogueira
Comboio Alfa Pendular
Comboio
Pedro Marques, ministro do Planeamento
Carlos Nogueira
Comboio Alfa Pendular
Comboio
Pedro Marques, ministro do Planeamento
Carlos Nogueira
Comboio Alfa Pendular
Comboio
A CP - Comboios de Portugal só tem metade dos comboios a funcionar. Dos 795 veículos da frota, apenas 374 estão ao serviço regular da população, segundo o Relatório e Contas da empresa em 2017. Assim, a CP conta com 327 comboios em situação "inoperacional" e com outros 94 que são utilizados de forma pontual.

No documento, onde é referido que os níveis de pontualidade estão a diminuir, a compra de material circulante surge como uma "prioridade" para 2018. Contudo, segundo noticiou o 'Público', o Governo só estaria disposto a autorizar a compra de 22 comboios para o serviço regional da CP, deixando de fora o reforço da operação de longo curso (Intercidades e Alfa Pendular).

O Ministério do Planeamento reagiu, em comunicado, dizendo que o processo de compra dos comboios da CP está a ser preparado para os serviços suburbanos, regionais e de longo curso. O Governo não concretiza quantos comboios serão em cada categoria porque o caderno de encargos está "em elaboração", diz fonte oficial ao CM.

A notícia do 'Público' colocava ainda em cima da mesa o cenário limite da privatização do serviço de longo curso da CP, uma intenção que chegou a fazer parte programa eleitoral do anterior Governo. O ministério liderado por Pedro Marques assegura agora que é "fantasioso o cenário de privatização de qualquer atividade da CP".

No relatório de 2017, o presidente da CP, Carlos Nogueira, não deixava de se mostrar preocupado com a "liberalização do mercado nacional do transporte ferroviário de passageiros", que abriria o mercado às empresas estrangeiras. Fonte oficial do Governo explica que essa liberalização acontecerá a nível europeu, não tendo "qualquer relação" com uma eventual privatização da CP.

Gastos "reduzidos a níveis mínimos" para garantir segurança
Nas contas de 2017, a CP defende que "os gastos operacionais estão reduzidos a níveis mínimos indispensáveis para assegurar a operacionalidade e a segurança da atividade". Uma posição que contraria o próprio Governo, que afirmou ontem que a empresa liderada por Carlos Nogueira está a "investir fortemente na manutenção do material circulante". O Executivo garantiu ainda que serão contratados 102 trabalhadores para a EMEF, empresa que garante a manutenção dos comboios.

"Fortes constrangimentos" na frota obrigam CP a reduzir operação 
Carlos Nogueira já assumiu que a CP enfrenta "fortes constrangimentos", sobretudo na idade da frota. O gasto, em 2017, de apenas 13,7 milhões de euros para a melhoria dos comboios é disso exemplo. A reduzida frota tem forçado a várias supressões, que levaram a CP a cortar ligações num novo horário em agosto. O Governo já disse que o ritmo normal regressa após o verão, mesmo que para tal seja preciso alugar comboios em Espanha.
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