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Correio da Manhã

Economia

CRÉDITO À HABITAÇÃO PAGO DURANTE 40 ANOS

Os bancos estão a permitir que, em casos excepcionais de dificuldades económicas, os empréstimos para a compra de casa possam ser pagos em 40 anos, em vez dos habituais 25. Esta estratégia está a ser adoptada para fazer face às crescentes dificuldades económicas das famílias portuguesas em cumprir com as prestações dos empréstimos, apesar das taxas de juro estarem a níveis historicamente baixos.
19 de Fevereiro de 2004 às 00:00
O Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Banco Totta são algumas das instituições financeiras que já estão a aplicar estas novas regras. No caso da CGD, que detém uma quota de mercado de 33,2 por cento (o que corresponde a 800 mil contratos), e apesar de o seu presidente ter dito ontem que “não é política do Grupo prolongar a vida dos empréstimos à habitação”, o CM sabe que já existem casos em que, face às dificuldades dos clientes, os empréstimos foram prolongados por mais dez anos para além do seu prazo normal.
“Cada caso é um caso. Mas se os clientes mostrarem vontade de honrar a sua dívida, a Caixa não vê problemas em prolongar a vida do empréstimo, tendo como prazo limite a idade do cliente (que não pode ultrapassar os 70 anos)”, afirmaram ao CM fontes da instituição.
Já no caso do Banco Totta, para além da “monitorização atenta das situações com risco de incumprimento”, a instituição do Grupo Santander actua também ao nível da reformulação do prazo do crédito concedido (até aos 40 anos de prazo ou aos 75 anos de idade do mutuário), de modo a diminuir o montante da prestação e adequá-lo às possibilidades de pagamento do cliente.
Falando durante a apresentação de resultados do Grupo CGD, António de Sousa referiu que o crédito à habitação na Caixa corresponde a cerca de 50 por cento do crédito concedido (mais de 44.105 milhões de euros em 2003).
O lucro consolidado da CGD subiu 0,3 por cento no ano passado, face a 2002, para 667,3 milhões de euros. Antes de impostos, o resultado do banco presidido por António de Sousa foi de 815,6 milhões de euros, o que traduz um crescimento de 4,4 por cento.
A margem financeira reduziu-se 12,9 por cento, "devido às sucessivas descidas das taxas de juro, que penalizaram mais intensamente os juros do crédito do que os juros dos depósitos", refere a CGD.
"Este efeito", explica, "é particularmente relevante nas instituições de crédito que, como a CGD, financiam integralmente o crédito que concedem com depósitos de clientes".
A margem complementar compensou em grande parte esta redução, ao crescer 21,1 por cento, beneficiando do bom comportamento das comissões, do saldo dos lucros e prejuízos em operações financeiras e de outros proveitos de exploração.
DESEMPREGO E DIVÓRCIOS
Para estudar o fenómeno do incumprimento no crédito à habitação, a CGD decidiu constituir um Gabinete de Recuperação de Crédito Malparado. Esse organismo tem por objectivo facilitar o pagamento das dívidas em atraso, através da renegociação dos empréstimos concedidos.
Segundo um estudo feito por aquele gabinete, as duas principais causas de incumprimento no crédito à habitação são as situações de desemprego e os divórcios. Para evitar estas situações, a CGD realizou uma acção promocional, oferecendo um seguro de desemprego (gratuito nos primeiros dois anos de vida do empréstimo), para quem quisesse celebrar novos contratos de crédito hipotecário.
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