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Correio da Manhã

Economia
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Crédito de 100 milhões

Tal como era esperado, o ministro da Agricultura aproveitou a inauguração oficial da Ovibeja para levar boas novas aos agricultores. Da ‘manga’ tirou três linhas de crédito que o Governo irá discutir já “na próxima semana”, como realçou.
1 de Maio de 2005 às 00:00
Jaime Silva lembra que vivemos um período de rigor orçamental
Jaime Silva lembra que vivemos um período de rigor orçamental FOTO: Madalena Lino
Estas linhas de crédito, com um valor de 100 milhões de euros, destinam-se à alimentação dos animais, aos citrinos e batatas e ao abeberamento de animais e furos.
“A alimentação dos animais é um sector prioritário. Esta linha terá uma bonificação de 100 por cento”, explicou Jaime Silva. Em relação às outras duas linhas de crédito, “os juros serão bonificados de 80 a 40 pontos percentuais, por um período de três anos”, assegurou o ministro ao Correio da Manhã.
Não obstante estas medidas, que podem fazer os agricultores sorrir um pouco, lembrou o titular da pasta da Agricultura que o essencial das ajudas comunitárias estão congeladas até 2013, “ou seja, vão baixar em termos reais”. E, realçou, para uma plateia de agricultores sedentos de boas notícias: “As ajudas directas, a prazo, vão diminuir drasticamente. Restam as ajudas direccionadas para o investimento, o Fundo Agrícola para o Desenvolvimento Rural.”
Em relação às medidas já anunciadas em Bruxelas, que deverão ser adoptadas no prazo máximo de duas semanas, Jaime Silva lembrou aquelas que estão ligadas à aplicação da PAC, como a flexibilização dos mecanismos que permitem ao agricultor ter ajudas que rondam os 200 milhões de euros.
DIFÍCIL MOSTRAR PREJUÍZOS
Para abrir os cordões à bolsa, Bruxelas quer ter provas de que se registaram quebras de rendimento pelo menos de 30 por cento. “Nós sabemos que o que é evidente no terreno é complicado de ver nos gabinetes técnicos”, disse, talvez para justificar a morosidade das ajudas europeias.
Porque a seca não é estática e os seus valores se alteram com frequência – o país já teve 80 por cento do seu território em seca severa ou extrema e está agora com 63 por cento do território nesta situação –, Jaime Silva garantiu que todas as medidas são bem pensadas e bem direccionadas. Aliás, enfatizou, o rigor orçamental a isso obriga.
Contra “a panóplia de lamúria tremenda” que caracteriza Portugal, Jorge Sampaio, pela última vez no certame na qualidade de presidente da República, desafiou os agricultores, bem como todo o tecido empresarial, a apostarem na competitividade, na modernização, na formação, a fazerem uma aposta em sinergias, ou seja, “a ganharem a batalha da competitividade. É pela qualificação e pela vitória nesta batalha que iremos ser julgados”, destacou.
À saída da sessão inaugural da 22.ª Ovibeja, minutos após terem ouvido as novidades de Jaime Silva e os desafios de Jorge Sampaio, os agricultores mostravam-se cautelosos nas reacções.
Sebastião Rodrigues, dirigente da Federação dos Agricultores do Baixo Alentejo, preferiu não tecer comentários ao que tinha sido dito, deixando essa questão para o dia seguinte. “Amanhã, [hoje] vamos ter uma reunião com o ministro da Agricultura. No final, falaremos.”
PRODUTIVIDADE
Jorge Sampaio quer que os fundos do próximo Quadro Comunitário de Apoio sejam concentrados em investimentos que possam mudar o sector produtivo. “Temos que escolher prioridades, melhorar a nossa capacidade de competitividade, e, também, que combater burocracias”, realçou.
CHOVEU MENOS 39 POR CENTO
A seca em Portugal agravou-se durante o mês de Abril, ao registar uma precipitação 39 por cento abaixo da média acumulada nas últimas seis décadas (1940/41 a 1997/98), revela um relatório do Instituto da Água.
O boletim de precipitação mensal do INAG - Instituto da Água comprova que não se cumpriu este ano o ditado “Em Abril águas mil” e que a chuva foi ainda mais escassa (44 por cento abaixo daquela média) quando se refere ao valor acumulado desde Outubro passado.
Os dados, divulgados ontem pelo INAG, baseiam-se nas medições de precipitação em 42 estações do norte ao sul do continente.
Somando a chuva que caiu desde Outubro, a região sul foi a mais fustigada, ao ficar 88,5 por cento abaixo da precipitação média acumulada de 1940/41 a 1997/98.
Seguiu-se o norte (49 por cento abaixo da média das últimas seus décadas), o centro (46 por cento) e o Algarve (36 por cento).
Contando só a chuva do mês Abril, também a região norte foi a que teve pior resultado (49 por cento abaixo da média), seguida pelo centro (46 por cento), sul (22 por cento) e Algarve (nove por cento). No final da primeira quinzena de Abril, 80 por cento de Portugal foi colocado pelo Instituto de Meteorologia em níveis de seca extrema ou severa.
ACTIVIDADES VARIADAS
GASTRONOMIA
A Confraria Gastronómica do Alentejo realiza no certame um concurso de receitas tradicionais de borrego, aberto a particulares. A decorrer terça-feira, premeia a genuinidade dos produtos, a autenticidade regional, apresentação, sabor gastronómico e inovação. Vai também ser lançado um livro com as receitas do ano passado.
REANIMAÇÃO
Pela primeira vez na sua história, a Ovibeja foi escolhida para palco de um curso de reanimação cardiorrespiratória. De acordo com o programa, ter-se-á realizado ontem e nele terão participado perto de 100 formandos e 25 formadores. Desta forma, foi possível ministrar uma informação mais prática, sempre útil.
AVES
Milhares de aves muito diversas enchem um dos pavilhões do certame, atraindo ao local outros tantos visitantes. Num espaço que ronda os dois mil metros quadrados, domina o chilrear da passarada e os risos dos mais pequenos. Espécies exóticas, pavões, avestruzes, patos e muitos galináceos “povoam” um pavilhão sempre cheio.
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