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Correio da Manhã

Economia

CRISE 'ARRASA' CARROS

Os vendedores de automóveis não vão esquecer tão cedo o ano de 2002. Pelo sétimo mês consecutivo, as vendas de carros continuam em quebra, com o mercado a sofrer uma redução de 19,5 por cento, em Setembro passado, segundo os dados da Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP).
4 de Outubro de 2002 às 22:10
A prova mais cabal da crise neste sector está na brutal quebra de procura das viaturas por parte das empresas: os veículos comerciais ligeiros caíram 25,8 por cento e os comerciais pesados 38,5 por cento, de acordo com a ACAP. Com estes resultados, fica bem “demonstrado o impacto da crise na economia portuguesa”, afirma Ferreira Nunes, presidente da Associação Nacional das Empresas do Comércio e Reparação Automóvel (ANECRA).

A crise no sector é tão grave que este responsável considera mesmo que, “desde 1996, não havia um ano com quebras tão acentuadas de vendas e tão poucos sinais de retoma no horizonte”. Quer Ferreira Nunes quer Hélder Pedro, secretário--geral da ACAP, justificam a actual situação do sector com a “crise económica e o baixo índice de confiança dos consumidores”, nas palavras de Hélder Pedro.

Segundo a ANECRA, o número de matrículas registadas de ligeiros de passageiros decresceu, em Setembro, 26 por cento. Muito pior foram os resultados dos comerciais ligeiros e dos pesados de mercadorias, cujo número de matrículas caiu 34 por cento e 48 por cento. O mais grave é que as previsões apontam para que esta tendência negativa do mercado continue até ao primeiro semestre de 2003.

A evolução

USADOS AFECTADOS

O mercado dos veículos usados, apesar de serem mais baratos que os novos, não escapa aos efeitos do abrandamento da economia. Segundo a ANECRA, o número de matrículas destes veículos registou, entre Janeiro e Setembro, uma quebra de 15,7 por cento. Só em Setembro passado essa diminuição atingiu cerca de 23 por cento.

MENOS 10% EM 2002

As vendas no mercado automóvel deverão registar uma diminuição de 10 por cento no final deste ano, segundo as previsões da ANECRA e da ACAP. Segundo a ACAP, entre Janeiro e Setembro, as vendas de ligeiros de passageiros caíram 8,9 por cento, os comerciais pesados 31 por cento e os comerciais ligeiros 12 por cento.
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