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Correio da Manhã

Economia

Crise arrasa réveillon na Madeira

A Madeira, um dos destinos mais procurados por continentais e estrangeiros para a passagem do ano, está este ano a sofrer com a crise económica e com as elevadas tarifas aéreas.
26 de Dezembro de 2011 às 01:00
Fim de ano é um dos principais cartazes turísticos da ilha da Madeira
Fim de ano é um dos principais cartazes turísticos da ilha da Madeira FOTO: Lusa

A taxa de ocupação hoteleira está oficialmente nos 65 por cento, uma das piores de sempre, admitiram ao Correio da Manhã várias fontes da região, que temem ainda o próximo ano.

Os elevados preços dos bilhetes da TAP, transportadora aérea nacional, numa altura em que qualquer variação no preço tem impacto nos orçamentos familiares, terão contribuído para afastar os continentais da Pérola do Atlântico. As tarifas aéreas estão, desde, pelo menos, Outubro, em torno dos 400/500 euros, enquanto destinos como Madrid e Londres, com preços abaixo dos 350 euros, surgem como mais económicos.

"A taxa de ocupação hoteleira é de cerca de 65 por cento", confirmou ao CM João Welsh, delegado na Madeira da Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAVT). Uma redução significativa para uma região que, na passagem de ano, "costuma registar taxas de 100 por cento ou até mesmo de overbooking", sublinha o mesmo responsável.

O ex-secretário de Estado do Turismo Bernardo Trindade admite tratar-se de uma redução que "reflecte a contracção nacional". Mas o ex-governante, também ligado à hotelaria, não considera que seja preocupante: "O ano de 2011 foi de recuperação na Madeira e a ocupação desta época não vai ter impacto nos resultados do ano turístico".

Quanto aos elevados valores dos bilhetes aéreos, em comparação com outros destinos, trata-se da "lógica da oferta e da procura", afirma Bernardo Trindade. Mas admite que a acessibilidade aérea é fundamental para a região – a única forma de chegar rapidamente ao arquipélago – e que "deverá ser vista globalmente e não apenas nesta época festiva".

A marcação de viagens de "última hora" – modalidade cada vez mais procurada – ainda poderá alterar ligeiramente os valores previstos pelos agentes da região, mas, segundo João Welsh, serão insuficientes para reverter esta tendência.

SERRA DA ESTRELA CONQUISTA CADA VEZ MAIS TURISTAS NACIONAIS

Apesar da ausência de neve, da introdução de portagens nas ex-Scut A23 e A25, do corte no subsídio de Natal e perda de poder de compra, as unidades hoteleiras da região da Serra da Estrela estão com uma ocupação superior nesta época festiva quando comparada com anos anteriores. Algumas estão com uma lotação a rondar os 85 por cento e outras já esgotaram, garantiram ao Correio da Manhã fontes ligadas ao sector turístico da região.

ALGARVE COM QUEBRA DE 30% NA HOTELARIA

No Algarve, nem o clima ameno que continua a levar os turistas até à praia e ao descanso nas esplanadas consegue contrariar as expectativas negras para o fim de ano. Hoteleiros e agentes turísticos esperam uma quebra de cerca de 30%. E, a cada dia que passa, as esperanças diminuem.

Isso mesmo disse ao CM Elidérico Viegas, presidente da AHETA - Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, a principal associação do sector, para quem o facto de a passagem de ano coincidir com um sábado piora a situação. "Virão muitos portugueses, mas optarão por fazer a festa em bares e discotecas ou na rua. Chegam na própria noite e regressam no dia seguinte, sem se alojarem num hotel".

A previsão de festa na rua constitui, aliás, uma ‘dor de cabeça’ para os empresários. "Compram as bebidas no supermercado e vão bebê-las para a rua ou para a praia, o que afecta o nosso negócio", admitiu Salvador Varela, na Praia da Rocha. Já os comerciantes esperam que o negócio anime pois têm tido dias de "não abrir a caixa", revelou Mónica Correia.

"ESPERAMOS SOBRETUDO PORTUGUESES":  António Pina Pres. Ent. Reg. de Turismo do Algarve

Correio da Manhã – Quais são as suas expectativas para o réveillon?

António Pina – Do ponto de vista turístico, receio que o Algarve, devido à situação económica do País e aos cortes nos subsídios de Natal, seja afectado negativamente. Mas o fim de ano no Algarve é uma marca com grande atracção, pelo que sinto preocupação e esperança ao mesmo tempo.

– Foi feito um esforço especial para atrair turistas?

– Sim, os agentes turísticos fizeram pacotes e nós promovemos o fim de ano na rádio e nas ATM, em Lisboa e Porto.

– Está confiante no mercado interno?

– Sim, esperamos sobretudo a vinda de portugueses. Mas também de espanhóis, apesar da introdução de portagens na A22 ser penalizadora para eles.

ALENTEJO OPTIMISTA COM OCUPAÇÃO HOTELEIRA ACIMA DOS 80 POR CENTO

Os empresários hoteleiros do Alentejo estão optimistas quanto aos números de ocupação turística neste fim de ano. Muitas unidades já estão esgotadas, outras estão acima dos 80%. O presidente da Entidade Regional do Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, diz que as camas disponíveis deverão ser preenchidas pela grande percentagem de portugueses e turistas estrangeiros que optam por reservar os quartos nas vésperas das datas festivas.

PORTUGUESES ESGOTAM VIAGENS PARA ILHAS DE CABO VERDE

Cabo Verde, à semelhança de anos anteriores, continua a ser um dos destinos estrangeiros mais procurados pelos portugueses para assinalar a passagem de ano. Foi também um dos primeiros a esgotar: em Novembro, a Soltrópico já não tinha lugares para as ilhas do Sal e Boavista. Mas Salvador (Brasil), Marraquexe (Marrocos) e Caraíbas também se estão a vender bem, de acordo com fonte da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo.

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