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Correio da Manhã

Economia
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Crise: Particulares pedem cada vez mais ajuda

A actual crise económica tem levado ao crescimento do crédito malparado, ao aumento dos pedidos de ajuda à DECO devido a situações de sobreendividamento, mas também à queda do crédito concedido.
5 de Fevereiro de 2012 às 10:18
Os créditos de cobrança duvidosa junto de particulares era de 4.777 milhões de euros em Novembro último, o valor mais elevado desde 1997
Os créditos de cobrança duvidosa junto de particulares era de 4.777 milhões de euros em Novembro último, o valor mais elevado desde 1997 FOTO: Tiago Sousa Dias / Correio da Manhã

Segundo dados do Banco de Portugal, no final de Novembro do ano passado os créditos de cobrança duvidosa junto de particulares, o chamado malparado, fixavam-se nos 4.777 milhões de euros, o valor mais elevado desde o começo da série em 1997, e um acréscimo de 82 milhões de euros face ao mês anterior.

Ainda assim, o valor do crédito malparado no final de Setembro do ano passado não chegava a atingir quatro por cento do total do crédito concedido aos particulares e, dentro deste, atingia apenas dois por cento do crédito à habitação, segundo números do Banco de Portugal.

Os dados do banco central mostram ainda que havia 14,5 por cento de devedores particulares em situação de crédito vencido (ou seja, em incumprimento de pagamento), sendo que esta percentagem se repartia em 5,7 para o lado da habitação e 16,2 para os créditos ao consumo em Setembro de 2011.

A subida do malparado tem sido, por outro lado, acompanhada pelo aumento do número de pedidos de ajuda feito por particulares sobreendividados à DECO - Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.

Segundo números desta instituição, durante 2011 foram analisados 4.288 processos de sobreendividamento, um valor muito distante do registado em 2010, quando foram feitos 2.837 pedidos de ajuda, que por sua vez reflectiam uma mudança ligeira face a 2009.

A média do número de créditos por processo de sobreendividamento era de quatro, segundo o boletim da DECO, com nove por cento dos casos a concentrarem mais de oito créditos.

As causas estavam relacionadas, em mais de metade dos casos, com a situação laboral, ou seja, 31,4 por cento apresentavam o desemprego como causa para o processo de sobreendividamento, enquanto 21,7 por cento deram como justificação a deterioração das condições laborais.

E se os pedidos de ajuda dirigidos à DECO e o aumento do malparado são um sinal da crise, outro sinal é o facto de o crédito concedido pela banca aos particulares estar a diminuir a alta velocidade.

Os valores disponibilizados pelo Banco de Portugal mostram quebras no total de crédito concedido a particulares a partir do segundo trimestre do ano passado em termos homólogos, quando se deram reduções de 0,3 nesse período e de 1,3 no terceiro trimestre de 2011.

Uma tendência que é mais visível ainda na concessão de crédito ao consumo que tem vindo a cair desde o final de 2010, de forma cada vez maior, passando de quebras de 2,8 por cento em termos homólogos no primeiro trimestre de 2011 para um decréscimo de 5,1 por cento no terceiro trimestre.

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