A venda, em 2003, do edifício dos CTT em Coimbra, ocupou a quase totalidade da sessão desta terça-feira do julgamento sobre esta transacção e outras operações, designadamente, a venda de outro imóvel dos Correios em Lisboa.
O juiz presidente do colectivo interrogou, durante todo o dia de hoje, José Júlio Macedo, acusado de envolvimento no processo de compra e revenda de um prédio dos CTT em Coimbra, na avenida Fernão de Magalhães, operação que, segundo o Ministério Público (MP), terá lesado os CTT em cerca de cinco milhões de euros.
O imóvel dos CTT em Coimbra foi vendido, em Março de 2003, por perto de 15 milhões de euros à empresa Tramcrone (TCN-Property Projects), da qual o arguido era um dos proprietários, que, no mesmo dia, o revendeu à ESAF-Espírito Santo Fundos de Investimento, SA, por cerca de 20 milhões de euros.
O arguido ficou "realmente interessado" na aquisição do edifício quando soube da possibilidade de nele vir a ser instalado um hospital de retaguarda (como viria a suceder e mediante o pagamento de uma renda mensal de 136 mil euros), disse ao tribunal.
Além da instalação daquela unidade de saúde, o prédio também foi arrendado aos CTT (55 mil euros mensais) e à Câmara Municipal de Coimbra (22 mil euros), que, na sequência das obras no estádio municipal para o campeonato europeu de futebol de 2004, transferiu para ali a Associação de Informática da Região Centro (AIRC).
Embora fosse vereador da Câmara de Coimbra, Luís Vilar (também arguido neste processo) não influenciou a decisão da câmara para instalar no prédio a AIRC, disse José Júlio Macedo.
"A única interferência que [Luís Vilar] teve - e não devia ter tido - foi a de ter votado a favor" daquele arrendamento, na respectiva sessão da Câmara Municipal de Coimbra", sustentou o arguido.
Luís Vilar terá recebido, segundo o MP, dinheiro da Tramcrone (para além dos honorários por ser consultor da empresa) pela sua participação na transacção do edifício dos CTT em Coimbra, mas José Júlio Macedo negou que assim tenha sido.
Confrontado, pelo juiz, com apontamentos do arguido, designadamente contendo iniciais que, na versão do MP, correspondem às pessoas envolvidas naquela transacção e terão recebido compensações monetárias, José Júlio Macedo afirmou ao tribunal que "algumas são inventadas", exemplificando que 'PM1' seria primeiro-ministro, o que, sublinhou, não é verdade.
José Júlio Macedo é um dos arguidos envolvidos neste julgamento e está acusado de co-autoria de crimes de corrupção activa para ato ilícito, branqueamento de capitais e de participação económica em negócio.
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