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Correio da Manhã

Economia
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Decisão adiada na Autoeuropa

A administração e os trabalhadores da Autoeuropa deverão voltar a reunir-se na próxima semana para discutir o futuro da fábrica de Palmela, depois dos operários terem rejeitado o pré-acordo de flexibilidade laboral que teria garantido a manutenção na empresa de 250 contratados.

19 de Junho de 2009 às 00:30
António Chora comunicou a rejeição à administração da fábrica
António Chora comunicou a rejeição à administração da fábrica FOTO: Rui Minderico, Lusa

Ao que apurou o Correio da Manhã junto da unidade, a administração da Autoeuropa está na Alemanha de onde só deverá regressar na próxima quarta-feira, dia 24 de Junho, e só nessa altura apresentará novas medidas "de combate às oscilações do mercado" automóvel devido à crise económica mundial.

Para já a administração da unidade da Volkswagen em Palmela está "expectante" quanto às contra-propostas que a Comissão de Trabalhadores prometeu apresentar após a rejeição do pré-acordo pela maioria dos funcionários, numa votação realizada na última quarta-feira. Dos 3040 funcionários inscritos, votaram 2668, dos quais 1381 (51,7%) rejeitaram as propostas contra 1252 (46,9) votos favoráveis.

O pré-acordo tinha o apoio da Comissão de Trabalhadores, cujo porta-voz, António Chora, avançou como uma das razões para o ‘chumbo’ o facto de alguns operários temerem perder direitos adquiridos. Além disso, os trabalhadores receavam que o aumento da flexibilidade laboral e a ausência de infra-estruturas, designadamente infantários, lhes pudessem criar dificuldades adicionais aos fins-de-semana.

REACÇÕES

"Eu tenho a certeza que os administradores da Autoeuropa e os trabalhadores acabarão por chegar a um acordo." - José Sócrates, Primeiro-ministro

"Estou preocupada, mas espero que o consenso e o bom senso imperem naquelas negociações." - Manuela Ferreira Leite, PSD

"Do fundo do coração, espero bem que os trabalhadores reconsiderem as consequências que uma decisão destas pode ter." - Manuel Pinho, Ministro da Economia

DIRECÇÃO PROMETE ESFORÇO

A administração da Autoeuropa, presidida por Andreas Hinrichs, continuará a esforçar-se por "oferecer aos seus colaboradores as melhores condições possíveis no quadro altamente competitivo que hoje caracteriza a disputa pela produção de novos modelos". A promessa foi feita ontem em comunicado emitido após a rejeição do acordo laboral.

O acordo previa uma redução do pagamento do trabalho extraordinário em seis sábados por ano, desde que os trabalhadores já tivessem usufruído de mais do que os 22 dias sem produção anuais.

Neste caso, em vez de receberem os sábados a 200%, com um acréscimo de mais 25%, os trabalhadores passariam a receber seis sábados por ano como trabalho normal e a acumular seis horas positivas no saldo de tempo.

"DESPEDIMENTOS NÃO FORAM CONSIDERADOS" (António Chora, Porta-voz Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa)

Correio da Manhã – Que razões levaram os trabalhadores da Autoeuropa a rejeitar o acordo laboral?

António Chora – Na minha opinião foi um conjunto de factos, incluindo as condições actuais de trabalho. Para algumas pessoas essas condições serão menos aceitáveis. Há também algumas poupanças de custos e uma optimização dos tempos de trabalho que causam desagrado. E a questão do trabalho aos sábados e do banco de horas, que provocaram reacções muito diversas por parte das pessoas.

– Tendo em consideração que a rejeição do acordo pode dar origem a despedimentos, esta recusa não foi irreflectida?

– Dos mais de 2600 trabalhadores que votaram apenas 250 podem ser despedidos, portanto penso que essa possibilidade nem foi tida em consideração. Além disso, não há a possibilidade de a Autoeuropa sair do País, e essa garantia foi-nos dada pela própria administração. Claro que se a crise se agravar tudo será possível.

– Quais serão os próximos passos?

– Vamos aguardar que na próxima quarta-feira ou quinta-feira a administração apresente novas medidas e ver se será possível continuar com as negociações.

 

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