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Correio da Manhã

Economia
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Deco quer luz sem custos extras

A conta da luz poderia ficar 5% mais barata se o Governo concordasse em reduzir em 10% o peso dos custos de interesse geral que são cobrados mensalmente na factura da electricidade. O exercício é feito pela Deco, que ontem lançou uma petição para acabar com os extras nas tarifas da luz, já que 42% da factura nada tem a ver com o consumo de electricidade.
26 de Novembro de 2010 às 00:30
Jorge Morgado, da Deco
Jorge Morgado, da Deco FOTO: Vítor Mota

Pegando num exemplo concreto, numa factura média mensal de vinte euros a poupança poderia ser de um euro, com uma redução de 5%, em vez do aumento médio de 76 cêntimos (3,8%) previsto para o próximo ano.

"O preço final da electricidade é composto por três blocos – produção eléctrica (31% do custo final), custos inerentes ao transporte e distribuição da electricidade (27%) e custos de interesse geral", explicou ao Correio da Manhã Jorge Morgado.

O secretário-geral da Deco adiantou que estes custos são taxas que foram sendo criadas ao longo dos anos pelos governos para cobrir determinadas despesas e anexadas à conta da luz. No próximo ano estes extras representarão 2,5 mil milhões de euros.

Exemplo destes custos são as rendas pagas aos municípios pelos cabos subterrâneos – 240 milhões de euros no próximo ano – e os incentivos às energias renováveis e cogeração – 800 milhões de euros nas tarifas de 2011, mais do dobro dos 352 milhões pagos em 2008. Estão ainda incluídos aqui os custos pagos em Portugal Continental para que os Açores e a Madeira não tenham preços de energia eléctrica demasiado elevados.

Jorge Morgado não defende o fim dos incentivos, nem que as ilhas tenham de pagar a energia mais cara, mas sim que esses custos, ou parte dos mesmos, deixem de ser reflectidos na factura da electricidade.

INTERESSE GERAL COM PESO INSUPORTÁVEL

A Deco defende a redução dos custos extras na conta da luz há já alguns anos, mas decidiu reforçar agora esse combate por considerar que estes começam a ter "um peso insuportável".

Se os "custos de interesse geral" não forem reduzidos, Jorge Morgado, secretário-geral da Associação para a Defesa do Consumidor, alerta que em 2011 o aumento dos mesmos poderá alcançar os 30%, ressalvando porém que isso não significa um aumento da mesma ordem na conta da luz, mas que acabará por levar a uma subida da factura da ordem dos dois dígitos em 2012.

LUZ DECO
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