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Correio da Manhã

Economia
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Desemprego atinge 8,2%

No dia em que o Governo anunciou que o défice de 2006 ficará abaixo dos 4,6 por cento (ver caixa), os números do desemprego divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) vieram ensombrar um cenário que os ministros Teixeira dos Santos (Finanças), Correio de Campos (Saúde) e Vieira da Silva (Trabalho e Segurança Social) desejavam que fosse perfeito.
16 de Fevereiro de 2007 às 00:00
Os números dos desemprego estragaram o anúncio do Governo de um défice abaixo dos 4,6 por cento
Os números dos desemprego estragaram o anúncio do Governo de um défice abaixo dos 4,6 por cento FOTO: João Miguel Rodrigues
São 458 mil os portugueses que no final de 2006 estavam sem trabalho, metade dos quais está à procura de emprego há mais de 12 meses e cerca de 140 mil já o fazem há dois anos (desemprego de longa duração). São mais 11,3 mil quando comparados com o último trimestre de 2005 e mais 41,2 mil se tivermos em conta o terceiro trimestre de 2006.
“Os números não são bons”, afirmou ontem o ministro Vieira da Silva, após a apresentação da execução orçamental de 2006. O ministro do Trabalho e Segurança Social realçou que o valor global do ano (7,7 por cento) se “aproximou do estimado” pelo Governo no Orçamento do Estado, que se registou uma criação líquida do emprego e que o crescimento do desemprego foi o mais baixo dos últimos anos.
Vieira da Silva acredita que “há sinais sérios do crescimento da economia”, mas que os seus efeitos no desemprego “não se traduzem no imediato”. Com efeito, vários economistas têm defendido que a criação de emprego só é possível com um crescimento económico acima dos dois por cento. Segundo os últimos números disponíveis, o crescimento da economia no terceiro trimestre de 2006 foi de 1,5 por cento.
O ministro do Trabalho reafirmou que as linhas de combate ao desemprego passam por criar condições para o crescimento da economia, sistemas sociais que dêem o devido apoio aos desempregados, assim como encontrar resposta para a baixa qualificação dos portugueses.
Durante a apresentação da execução orçamental da Segurança Social, o ministro anunciou que 7418 milhões de euros serão transferidos em 2007 para o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.
“Os resultados não são uma dádiva, tem de se continuar a trabalhar, nomeadamente no que se refere ao combate à fraude”, sublinhou o ministro Vieira da Silva.
TAXAS DE DESEMPREGO EM PERCENTAGEM
Portugal: 8% (4.º trimestre de 2005) / 7,4% (3.º trimestre de 2006) / 8,2% 4.º trimestre de 2006) / 7,6% (2005) / 7,7% (2006)
Norte: 9% (4.º trimestre de 2005) / 8,5% (3.º trimestre de 2006) / 9,7% 4.º trimestre de 2006) / 8,8% (2005) / 8,9% (2006)
Centro: 6% (4.º trimestre de 2005) / 5,5% (3.º trimestre de 2006) / 5,8% 4.º trimestre de 2006) / 5,2% (2005) / 5,5% (2006)
Lisboa: 9% (4.º trimestre de 2005) / 8,4% (3.º trimestre de 2006) / 8,9% 4.º trimestre de 2006) / 8,6% (2005) / 8,5% (2006)
Alentejo: 9,4% (4.º trimestre de 2005) / 8,7% (3.º trimestre de 2006) / 9,3% 4.º trimestre de 2006) / 9,1% (2005) / 9,2% (2006)
Algarve: 5,9% (4.º trimestre de 2005) / 5,1% (3.º trimestre de 2006) / 6,1% 4.º trimestre de 2006) / 6,2% (2005) / 5,5% (2006)
Açores: 4,4% (4.º trimestre de 2005) / 3,3% (3.º trimestre de 2006) / 4% 4.º trimestre de 2006) / 4,1% (2005) / 3,8% (2006)
Madeira: 5,1% (4.º trimestre de 2005) / 6,1% (3.º trimestre de 2006) / 5,8% 4.º trimestre de 2006) / 4,5% (2005) / 5,4% (2006)
NÚMEROS DO OE 2006
43,067 mil milhões de euros foi o total da despesa do Estado em 2006. Comparando com 2005, o aumento foi de 2,4 por cento.
21,430 mil milhões de euros foi a soma da despesa da administração local no ano passado, menos 3,3 por cento que em 2005.
102% das taxas de execução orçamental em contribuições e cotizações, que totalizaram 11 610,73 mil milhões de euros.
1,837 mil milhões de euros em prestações de desemprego no ano passado, menos três por cento do que em 2005.
6,9 milhões de primeiras consultas foram prestadas em 2006, o que representou uma subida de 3,4 por cento face a 2005.
SINDICATOS
As centrais sindicais UGT e CGTP consideraram que o crescimento económico verificado em 2006 não chegou para gerar emprego suficiente para inverter o crescimento do desemprego. Também a precariedade foi criticada.
MENOS REMÉDIOS, MAIS CONSULTAS E CIRURGIAS
Correia de Campos anunciou ontem que a despesa do Ministério da Saúde subiu 1,4 por cento em 2006 para os 7 982,7 milhões de euros (depois de, em 2005, ter registado um aumento de seis por cento). Depois de realçar que o orçamento daquele Ministério foi “rigorosamente igual” ao de 2005, o ministro atribuiu a boa gestão do orçamento da Saúde a um conjunto integrado de factores, de onde sobressaem os cortes na compra de medicamentos e material de uso clínico, bem como a descida da despesa em meios complementares de diagnóstico (que em 2006 somaram 630 milhões de euros).
O ministro disse que esta “poupança” foi conseguida sem a diminuição do número de consultas. De acordo com Correio da Campos, foram realizadas mais de 22 milhões de consultas programadas (uma subida de 2,3 por cento face a 2005) e 633 800 cirurgias (mais 5,4 por cento).
ESTADO POUPA 2,3 MIL MILHÕES DE EUROS
O Estado conseguiu poupar, em 2006, cerca de 2,3 mil milhões de euros. Desde a Saúde à Segurança Social, passando pela Administração Local, a gestão dos dinheiros públicos permitiu que o ministro das Finanças anunciasse ontem que o défice de 2006 “ficará abaixo dos 4,6 por cento do Produto Interno Bruto”.
A contribuir para esta melhoria esteve uma poupança de quase 600 milhões de euros no défice do subsector Estado, de 814 milhões de euros no excedente dos serviços e fundos autónomos e de 779 milhões de euros no saldo positivo da segurança social.
A administração regional superou o seu excedente previsto em 41 milhões de euros e as autarquias conseguiram poupar quase mais 110 milhões de euros do que o orçamentado. “Todos os subsectores conseguiram fechar 2006 com dados claramente melhores do que o previsto”, afirmou o ministro das Finanças, salientando que “houve esforço de todos os subsectores”.
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