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Correio da Manhã

Economia
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Desemprego ensombra Natal

O Natal é por tradição uma época de alegria, mas no distrito da Guarda as festividades deste ano estão ensombradas pelos efeitos da crise.
14 de Dezembro de 2010 às 00:30
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crise, solidariedade, desemprego FOTO: Nuno André Ferreira

O desemprego atinge muitas famílias e atira-as para a pobreza. Só na Delphi foram este ano despedidos 700 operários. A Guarda tem sido a região do País mais fustigada pelo desemprego, um facto que se reflecte nos pedidos de ajuda às Cáritas Diocesanas: em 2010 subiram mais de 30 por cento.

Não é difícil encontrar casos dramáticos de pessoas sem dinheiro para o essencial. É o caso de Elisabete e Octávio, um jovem casal de Celorico da Beira que é apoiado pelo Rendimento Social de Inserção (RSI). Vão passar o Natal com a ajuda dos pais e com o apoio de instituições. "É um dia diferente, em que se junta a família", conta Elisabete Costa, de 20 anos, que com o filho, Guilherme, de oito meses, não vai deixar de construir a árvore de Natal: "É o mínimo."

A vida do casal "não tem sido nada fácil". Octávio Fernandes, de 22 anos, lembra que todos os meses "é preciso fazer bem as contas". "Passamos por dificuldades mas temos o apoio da família", afirma o jovem que pediu o RSI após ter perdido o emprego.

Os contratempos da vida levaram também Elisabete a deixar os estudos. "Foi complicado. Fiquei apenas com o 9º ano, mas espero em breve poder concluir o Secundário, através das Novas Oportunidades", refere a jovem que espera não ter de viver durante muito tempo com o apoio do RSI. "Logo que o nosso filho tenha um ano, vou colocá-lo na creche e vou procurar um trabalho. Tenho curso de mesa e bar e quero agarrar-me a qualquer coisa, não vou andar a escolher", garante a jovem.

Tal como Elisabete e Octávio, existem no distrito da Guarda 1651 famílias que são apoiadas pelo RSI. As pessoas carenciadas contam com a entrega de cabazes de produtos essenciais para o lar pelo menos uma vez por mês, oferta que vai ser reforçada esta semana com bens de primeira necessidade, de forma que nada lhes falte pelo menos no Natal.

CÁRITAS AJUDA COM ALIMENTOS E ROUPAS

O Natal não vai ser fácil para muitas famílias do distrito da Guarda. Segundo a Cáritas, desde o início do ano, os pedidos de ajuda aumentaram 30 por cento. A presidente do organismo, Maria Emília Andrade, diz existir um "cuidado particular" nesta altura do ano com as pessoas mais carenciadas: "Procuramos apoiá-las no que é possível, no essencial."

O principal apoio surge no que respeita a alimentos, e agora que o frio aperta "existe muita procura de roupas, cobertores e agasalhos diversos". Na Cáritas da Guarda, "o atendimento tem vindo a crescer de forma sistemática", e Maria Emília Andrade refere mesmo que têm existido contactos por pessoas "que nunca tinham vindo à Cáritas".

Maria Emília revela que "todos os dias aparecem casos novos", entre eles muitas mães solteiras e mulheres vítimas de violência doméstica. "Pessoas que nunca pensaram recorrer à Cáritas, mas que não têm outra alternativa", conclui.

DISCURSO DIRECTO

"APOIO SOCIAL PARA 1651 FAMÍLIAS": José Albano, Director da Segurança Social da Guarda

Correio da Manhã – A Segurança Social tem capacidade para responder a tantos pedidos de ajuda?

José Albano – Combatemos o momento que se vive com muito humanismo e somos solidários 365 dias por ano. O trabalho das equipas do Rendimento Social de Inserção tem sido fundamental para as muitas famílias do distrito.

– Sente que as necessidades têm vindo a aumentar ?

– Sim. Sentimos que à medida que vão surgindo as dificuldades, que vão encerrando empresas, tem havido por parte da Segurança Social e do Centro de Emprego uma atenção redobrada para tornar os serviços mais eficientes e mais céleres. O objectivo é que as pessoas que ficam numa situação de desemprego não sejam privadas de apoio imediato.

– Quantas pessoas estão nesta altura a ser apoiadas?

– Temos 1651 famílias a receber apoios sociais, o que se traduz em 5317 beneficiários – valores acumulados apenas até Outubro.

– O aumento foi exponencial?

– Existe sempre altos e baixos na procura, mas temos uma cobertura de 100 por cento nos acordos de inserção, o que significa que as famílias estão a assumir as suas responsabilidades para cumprir as acções que lhe são destinadas, na área do emprego ou da formação.

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