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Correio da Manhã

Economia
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DESEMPREGO NOS ESCRITÓRIOS

O desemprego continua a subir em flecha. Em apenas um mês, de Agosto para Setembro, quase 20 mil pessoas ficaram sem trabalho, fixando-se o número total nacional de desempregados nos 440.668, revelou ontem o IEFP. Para o aumento mensal contribuiu a afluência extraordinária de professores não colocados mas são os empregados de escritório a liderar a tabela, com 55 mil profissionais sem trabalhar.
23 de Outubro de 2003 às 00:00
Existem em Portugal mais de 440 mil desempregados, dos quais 55 mil são empregados de escritório
Existem em Portugal mais de 440 mil desempregados, dos quais 55 mil são empregados de escritório FOTO: Estela Silva (Lusa)
Em Setembro, o número de desempregados aumentou 4,7 por cento face a Agosto. Em termos anuais, verificou-se uma subida homóloga de 25,6 por cento, ou seja, mais 89.864 desempregados que em Setembro do ano passado, anunciou o Instituto do Emprego e Formação Profissional.
O número de pedidos de emprego ascendia a 482.511 no final de Setembro, dos quais 440.668 eram pedidos de desempregados e 14.319 de empregados que pretendiam mudar de emprego.
O aumento do desemprego, face a Dezembro do ano passado, sentiu-se mais nos homens (32,3 por cento) que nas mulheres (21,1 por cento). Verificaram-se ainda subidas nos jovens e adultos, com variações de mais 25,5 por cento e 25,6 por cento, respectivamente.
As profissões com mais desempregados (no Continente) são os grupos "empregados de escritório" (55 mil), "trabalhadores não qualificados dos serviços e comércio" (49.549), "pessoal dos serviços de protecção e segurança" (41.045) e "trabalhadores não qualificados das minas, construção civil e indústria transformadora" (38.038). A este conjunto de profissões pertenciam 42,6 por cento do total de desempregados inscritos.
PENALIZAÇÃO NAS REFORMAS ANTECIPADAS
O Governo vai aumentar, em 2004, as penalizações aos trabalhadores do sector privado que decidam passar à reforma antes dos 65 anos de idade, anunciou o ministro da Segurança Social e do Trabalho, Bagão Félix.
Segundo o governante, a taxa de redução do valor das pensões por cada ano de antecipação vai passar dos actuais 4,5 por cento para, pelo menos, cinco por cento. A lei actual permite a passagem à reforma a partir dos 55 anos, com 30 anos de serviço, mas com penalização de 4,5 por cento por cada ano antecipado à idade regulamentar de 65 anos.
Para o secretário-geral da UGT, João Proença, esta medida é “desajustada”, pois não serve para combater o facto de existirem empresas que usam a lei para despedir trabalhadores, tal como defende Bagão Félix.
“O ministro decidiu prejudicar os trabalhadores para combater a fraude mas isso não serve. O que se tem de fazer é combater a fraude sem penalizar os trabalhadores”, afirma ao CM.
O valor de 4,5 por cento “resultou de um acordo de concertação e agora vem o ministro, por vontade própria e contra o espírito da lei, a querer prejudicar os trabalhadores com esta medida”, frisa Proença.
OUTROS DADOS DO IEFP
DURAÇÃO
Quanto ao tempo de permanência em ficheiro dos desempregados inscritos nos centros de emprego do País, constata-se um desemprego de longa duração em 38 por cento do total, adianta o IEFP.
REGIÕES
Por regiões, os acréscimos anuais foram maiores no Norte (mais 30,9 por cento), Madeira (29,6 por cento) e Centro ( 27,7 por cento). Em termos mensais, o Algarve teve a subida maior, mais 4,4 por cento.
COLOCAÇÕES
Ao longo de Setembro, inscreveram-se 62.004 desempregados nos centros de emprego do continente e regiões autónomas, receberam-se 10.137 ofertas de emprego e efectuaram-se 5.850 colocações.
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