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Correio da Manhã

Economia

Destruídos 289 milhões de notas

Os portugueses tratam mal o dinheiro. Que o diga o Banco de Portugal, que todos os anos tem de destruir milhões de notas de euro por não terem qualidade para continuar em circulação. Segundo apurou o CM, em 2005 foram destruídos 289 milhões de notas, que representam 40 por cento do total da massa monetária que entrou no Banco de Portugal.
5 de Novembro de 2006 às 00:00
São vários os motivos que podem levar uma nota a ser retirada da circulação: desde rasgões, passando pela descoloração do papel, até aos inevitáveis ‘graffitis’. “Os portugueses gostam de escrever nas notas”, diz um responsável do banco central.
Seja como for, os 439 milhões de notas que foram depositados pelos bancos junto da autoridade de supervisão em 2005 foram sujeitos a uma rigorosa inspecção.
O processo é automático e contínuo. Todas as notas sofrem uma primeira triagem onde é aferida a sua autenticidade. As que oferecem dúvidas ou suspeitas de serem falsas são separadas e entram num processo distinto manual e laboratorial.
As genuínas são automaticamente inspeccionadas, uma a uma, de modo a verificar se estão em condições de voltar a circular. Se passarem nos rigorosos critérios de selecção são processadas e embaladas.
As que não têm qualidade para continuar em circulação são conduzidas a máquinas de destruição (granulação), que produzem briquetes (‘chouriços de restos de papel-moeda). Estes briquetes são posteriormente depositados em aterros secretos para evitar a mórbida curiosidade dos aforradores.
BANCO TROCA PAPEL-MOEDA DANIFICADO
O episódio dos euros desfeitos que ocorreu na semana passada na Alemanha veio relançar a discussão sobre a qualidade do novo papel-moeda. Um comunicado do Bundesbank (Banco Central Alemão) veio esclarecer que não existiu nenhum erro no processo de fabrico e que o facto de as notas se desfazerem se deveu ao facto de terem sido regadas com produtos químicos (com compostos ácidos) semelhantes aos utilizados para as limpezas domésticas.
“O Banco de Portugal não procedeu a qualquer reforço ou alteração dos processos de fabrico de euros na fábrica do Carregado, que continua a cumprir os mais elevados padrões de qualidade exigidos pelo Banco Central Europeu (BCE)”, acrescentou uma fonte da autoridade monetária.
Uma fonte oficial do banco central referiu que, “qualquer nota que esteja em mau estado, mas que tenha, pelo menos 50 por cento da sua superfície visível, pode ser trocada nos balcões do Banco de Portugal”. Nos restantes casos, a troca só será possível se o utilizador provar que a destruição não foi causada por culpa sua.
COMO SE FAZ O DINHEIRO
ALGODÃO
O papel utilizado na fabricação das notas de euros é produzido a partir de fibras de algodão que lhe conferem uma grande qualidade. Quando manuseadas apresentam uma sonoridade e elasticidade próprias e inconfundíveis.
CARREGADO
Em Portugal as notas de 5 ,10, 20 e 50 euros são fabricadas pela Valora SA, uma empresa detida a 75 por cento pelo Banco de Portugal e em 25 por cento pelo Grupo De La Rue, no complexo do Carregado, que foi inaugurado em 1995.
SEGREDO
Por questões de segurança, o Banco de Portugal não revela os aterros onde deposita as notas de euros destruídas, embora confirme que todo o processo respeita, integralmente, as normas ambientais que estão em vigor.
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