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Correio da Manhã

Economia
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Distribuição carrega na margem das botijas

Consumidores de gás engarrafado pagam o dobro de um utilizador de gás natural.
Diana Ramos 22 de Fevereiro de 2017 às 02:28
2,6 milhões de pessoas em Portugal ainda usam o gás engarrafado FOTO: Getty Images
As margens de distribuição das empresas de gás de botija têm vindo a disparar nos últimos dois anos, apesar de o preço médio de referência estar a reduzir-se. A Deco fez as contas e concluiu que os consumidores de gás engarrafado pagam "o dobro" da fatura suportada por um utilizador de gás natural.

Em Portugal, há 2,6 milhões de pessoas que usam gás engarrafado. A Deco avaliou a evolução dos preços e sublinha que, "nos últimos 15 anos, o preço de venda ao público do gás engarrafado, em particular do butano, duplicou" face ao gás natural. Segundo Pedro Silva, técnico da Deco Proteste, em 2002 o diferencial do custo do quilowatt-hora – referência que permite avaliar, por exemplo, o custo de aquecer uma panela de água de um litro com cada um dos tipos de gás – entre o gás de botija e o gás natural "situava-se em dois cêntimos". "Essa diferença está agora na casa dos sete cêntimos", adianta ao CM.

As contas da Deco revelam também que, nos últimos dois anos, "o preço de referência desceu cerca de 48 cêntimos por quilo, ou seja, 6,24 euros numa garrafa de 13 quilos de butano". Pelo contrário, "o preço de venda ao público desceu 21 cêntimos por quilo, o que se traduz em 2,77 euros por garrafa". "É uma clivagem enorme", diz Pedro Silva, lembrando que a rede de distribuição de gás natural não vai ser alargada e que há portugueses que são prejudicados no acesso e totalmente dependentes do gás engarrafado. Para a Deco, não há dúvidas de que "houve um aumento significativo das margens de distribuição". Pedro Silva admite que terá crescido cerca de 3 euros por garrafa.
A exemplo do gás natural, que é parcialmente regulado –mercado liberalizado costuma seguir os preços fixados pela ERSE –, a Deco defende que o gás de botija passe a ser considerado "um serviço público essencial", com tarifas ditadas pela ERSE.
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