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Correio da Manhã

Economia

Dívida do Estado custa 21 mil € a cada português

A dívida do Estado português, incluindo autarquias e empresas públicas e municipais, já ultrapassa os 221 mil milhões de euros. E esta dívida já custa a ca-da português 21 mil euros, montante que evidencia bem como a "situação é preocupante", segundo o economista Carlos Pereira da Silva, professor no ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão.

5 de Março de 2012 às 01:00
Governo tem razões para estar preocupado com o endividamento galopante
Governo tem razões para estar preocupado com o endividamento galopante FOTO: Vasco Neves

Os dados do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP), da Direcção--Geral do Tesouro e Finanças (DGTF) e do Anuário Financeiro dos Municípios de 2010, publicado na semana passada, revelam que a soma do endividamento da Administração Central, das autarquias e das empresas públicas e municipais já é quase 50 mil milhões de euros superior à riqueza gerada por Portugal em 2011.

Ou seja: o endividamento do Estado já representa 129% do PIB previsto para 2010. Face a esta realidade, os encargos com a dívida serão inevitavelmente elevados.

A maior fatia do endividamento do Estado corresponde à Administração Central: no final de Janeiro deste ano, segundo o IGCP, a dívida directa ascendia a 180 756 milhões de euros, dos quais 40 mil milhões são créditos da troika internacional.

A este montante acresce, de acordo com a DGTF, uma dívida das empresas públicas (incluindo a Parpública, a Estradas de Portugal e o sector da Saúde) superior a 30,3 mil milhões. E há ainda a acrescentar, segundo o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses de 2010, o endividamento das autarquias e das empresas municipais, que atinge 10 mil milhões de euros.

TRANSPORTES DESEQUILIBRAM

A dívida das empresas públicas, incluindo a Parpública, a Estradas de Portugal e o sector da Saúde, aumentou, em 2011, mais de 2,3 mil milhões de euros, face à dívida total de mais de 27,9 mil milhões de euros em 2010, segundo a DGTF.

Para este resultado contribuiu sobretudo o acréscimo do endividamento da Refer, da CP - Comboios de Portugal, dos metropolitanos de Lisboa e do Porto, da Parque Escolar, da Parpública e da Estradas de Portugal. A dívida no sector dos transportes aumentou mais de 711 mil euros, atingindo os 11,3 milhões de euros.

Já a Estradas de Portugal registou um crescimento na dívida superior a 630 milhões de euros. E já tem um endividamento de 2,6 milhões.

ENCARGOS PAGAVAM SAÚDE

A despesa com os juros da dívida directa do Estado (apenas Administração Central) ultrapassou em 2011 os seis mil milhões de euros. Tamanho encargo não só representa um aumento de 21,5% em relação ao ano anterior como 80% do orçamento do Ministério da Saúde para este ano.

O muito elevado nível dos encargos com os juros da dívida pública revela como o excessivo endividamento do Estado está a consumir os recursos de Portugal.

Por exemplo, se a despesa com os juros da dívida directa do Estado caísse para metade do valor pago em 2011, os três mil milhões de euros que sobravam permitiriam pagar as dívidas do sector da Saúde aos seis fornecedores.

DISCURSO DIRECTO

"A SITUAÇÃO É MUITO DIFÍCIL", Carlos Pereira da Silva, Professor no ISEG

Correio da Manhã - Portugal tem condições para suportar os encargos com a dívida do Estado?

Carlos Pereira da Silva - A situação é preocupante, mas depende do crescimento da economia.

- Quanto terá de crescer a economia para assegurar o pagamento da dívida?

- Numa situação normal, se uma economia não crescer de forma sustentada perto de 3% ao ano, é muito complicado suportar os custos da dívida.

- Portugal terá de reestruturar a sua dívida?

- A situação é muito apertada, mas, neste momento, é cedo para falar numa reestruturação da dívida.

- E como vamos pagá-la?

- Não sei.

DÍVIDA FINANÇAS CRISE
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