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Correio da Manhã

Economia
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Dívida já custa 778 € a cada português

Desde Janeiro, a República emitiu dívida no valor de 8,25 mil milhões de euros, quase metade das necessidades até Abril.
8 de Fevereiro de 2011 às 00:30
Teixeira dos Santos já colocou este ano 8,25 mil milhões de euros de dívida pública
Teixeira dos Santos já colocou este ano 8,25 mil milhões de euros de dívida pública FOTO: Bruno Colaço

Portugal já emitiu este ano dívida pública no total de 8,25 mil milhões de euros. Com empréstimos desta grandeza, o financiamento do Estado nos primeiros 38 dias de 2011 custa a cada português mais de 778 euros. Ontem, a República colocou no mercado obrigações do tesouro (OT) a cinco anos no montante de 3,5 mil milhões de euros, uma operação considerada um sucesso, dada a elevada procura dos investidores. Cerca de 31% desta emissão foi adquirida por investidores portugueses.

A dívida pública já emitida corresponde a cerca de 50% do total das amortizações que Portugal terá de fazer até ao final de Abril, cujo valor ronda os 17 mil milhões de euros. Como o financiamento vai prosseguir, a fim de amortizar dívida antiga e de fazer face ao défice orçamental, os encargos per capita com a dívida do Estado vão continuar a subir nos próximos meses.

Dada a elevada concentração de amortizações da dívida em Fevereiro, Março e Abril, este período é apontado como o momento de maior risco para uma eventual intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Portugal. E tudo porque o País poderá ter dificuldades em obter financiamento.

Para já, a República tem obtido crédito sem grande dificuldade, ainda que o Banco Central Europeu (BCE) tenha sido uma fonte de financiamento preciosa em momentos de subida acentuada da taxa de juro. A prova de que Portugal consegue crédito foi a operação de ontem: devido à elevada procura, o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) aumentou a colocação no mercado dos iniciais três mil milhões de euros para 3,5 mil milhões de euros, a uma taxa de juro de 6,45%. O secretário de Estado do Tesouro frisou que "o Estado português quando vai ao mercado tem uma resposta positiva por parte da procura". Sobre o custo do dinheiro Costa Pina considerou que "é um nível de taxa de juro em linha com o mercado secundário".

BANCOS VOLTAM AO CRÉDITO DO BCE

Janeiro é o segundo mês consecutivo de aumento de financiamento dos bancos portugueses através do Banco Central Europeu (BCE). No total, a Banca nacional deve 41,0 mil milhões de euros.

A grande maioria deste valor estará nas mãos do BCP, do BES e do BPI. Segundo os dados de Dezembro do Banco de Portugal, os três bancos tinham mais de 19,8 mil milhões de euros sob empréstimo.

 

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