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Correio da Manhã

Economia
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Dívida nacional deve baixar dos 60% em 2020

Miguel St. Aubyn, economista do ISEG, afirmou esta quinta-feira que só na década de 2020, na melhor das hipóteses, a dívida pública portuguesa estará abaixo dos 60 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
21 de Janeiro de 2010 às 18:48
Teixeira dos Santos, ministro das Finanças
Teixeira dos Santos, ministro das Finanças FOTO: Miguel A. Lopes/Lusa

"Com as minhas contas, mesmo num contexto em que o Orçamento de Estado  português se encontre em equilíbrio a partir de 2015 - admitindo uma diminuição  progressiva a partir de 2011 -, só na década de 2020, na melhor das hipóteses, teríamos uma dívida pública abaixo dos 60 por cento do PIB", reforçou.

O economista acredita ainda que as políticas governamentais a serem seguidas no futuro próximo serão "desejavelmente de maior rigor", comentando a advertência do relatório anual do FMI sobre Portugal, no qual é dito que se o país não tomar mais medidas de consolidação orçamental, a dívida  pública poderá aproximar-se dos 100 por cento do PIB dentro de quatro anos. 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) lança também um aviso no relatório anual sobre a economia portuguesa de que, no caso da dívida pública continuar a aumentar, Portugal estará mais próximo de "um cenário de ruptura económica brusca". 

Miguel St. Aubyn considerou que "as projecções do FMI, ou outras que sejam feitas, têm assim a virtude de mostrar a importância da actuação no  sentido da contenção da dívida pública. Não convém, na verdade, testar os  limites da do "rating" da República Portuguesa...", sugeriu.  

Recentemente os mercados começaram a penalizar a dívida pública portuguesa também pelo contágio da Grécia. O mercado duvida cada vez mais que o Estado grego consiga pagar a sua dívida externa, depois de vários alertas de agências de notação de risco e de instituições internacionais.  

Já João César Neves, economista da Universidade Católica, destaca que o aviso do FMI "não traz nada de novo" e se baseia apenas numa "possibilidade".

"A situação da Grécia é como a nossa, mas muito mais grave", garantiu João Neves, adiantando que "a Grécia está avisada. Nós temos mais tempo, mas temos de tomar juízo". 

Por seu turno, Jorge Braga de Macedo, da Universidade Nova de Lisboa, refere que Portugal não pode "estar sujeito a ser confundido" com qualquer coisa que não é:

"Nem com a Grécia, nem com a Espanha", esclareceu.  
 
Neste sentido, o antigo ministro das Finanças diz que há um problema  interno e externo e que o Governo dever dar sinais claros de algumas medidas de consolidação.  

"O Orçamento de Estado para 2010 é muito importante e estamos no momento  de negociar um plano a médio prazo para reduzir a dívida pública", concluiu.

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