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Correio da Manhã

Economia
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Dívida: País paga milhões

Em pouco mais de dois anos, o Estado terá de amortizar uma dívida pública de valor elevado, o que poderá exigir mais apoio da troika. Hoje, serão pagos mais de 5,5 mil milhões de euros
23 de Setembro de 2013 às 01:00
A ministra das Finanças anda em conversações com os elementos da troika sobre a enorme dívida de Portugal
A ministra das Finanças anda em conversações com os elementos da troika sobre a enorme dívida de Portugal FOTO: ETIENNE ANSOTTE/LUSA

Portugal começa a pagar hoje uma dívida pública acumulada de mais de 52,1 mil milhões de euros que tem de ser paga até ao final de 2015, período considerado o mais complicado para o financiamento do País. Só hoje, dia apontado há um ano como a data de regresso do País aos mercados financeiros, será amortizada uma dívida superior a 5,5 mil milhões de euros. Com a taxa de juro a dez anos acima dos 7%, começa a temer-se que Portugal terá sérias dificuldades em escapar ao segundo resgate da troika.

Os dados do último boletim mensal da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), divulgados no final da semana passada, deixam claro que nos meses seguintes a junho de 2014, quando termina o atual programa de apoio financeiro, Portugal terá montantes elevados de dívida pública para pagar: em Obrigações do Tesouro (OT) serão 5,9 mil milhões de euros, em junho, e 7,78 mil milhões de euros, em outubro, a que acrescem amortizações em Bilhetes do Tesouro (BT) de 2,59 mil milhões de euros, em julho, 1,53 mil milhões de euros, setembro, e 1,29 mil milhões de euros, em dezembro.

A dívida pública a pagar em 2015 é ainda mais elevada: só em OT já estão assumidos compromissos no valor de 13,4 mil milhões de euros. Além de necessitar de obter financiamento para pagar a dívida pública em 2014 e 2015, Portugal terá também de conseguir dinheiro para financiar o défice das contas públicas nesses dois anos.

Perante esta realidade, Cantiga Esteves, professor de Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão, é categórico: "Independentemente do nome que se lhes chamar, é óbvio que vai ter de haver mecanismos negociais [com a troika] que permitam o financiamento das dívidas antigas." Para o professor do ISEG, "o sinal que os mercados estão a dar, neste momento, é preocupante [para que Portugal possa libertar-se do apoio financeiro da troika]."

Há um ano, Vítor Gaspar, então ministro das Finanças, garantia que o objetivo era que Portugal regressasse aos mercados em setembro deste ano. E Maria Luís Albuquerque, então secretária de Estado do Tesouro, afirmava que Portugal estava a dar "passos seguros e consecutivos" para atingir essa meta.

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