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Correio da Manhã

Economia
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Dívida pública cresce dois milhões por hora

A dívida pública de Portugal cresceu 7,5 mil milhões nos primeiros cinco meses de 2010, disparando para os 140,2 mil milhões de euros. O mesmo é dizer que desde as 12 badaladas que marcaram a entrada neste novo ano que a dívida do Estado cresce a um ritmo de dois milhões de euros por hora. Isto numa altura em que o País viu os juros para emitir dívida quase duplicar em poucos meses.
15 de Julho de 2010 às 00:30
O debate sobre o Estado da Nação começa hoje por volta das 15 horas e deverá durar três horas e quarenta e cinco
O debate sobre o Estado da Nação começa hoje por volta das 15 horas e deverá durar três horas e quarenta e cinco FOTO: Bruno Colaço

É com este cenário que José Sócrates chega hoje ao Parlamento para debater o Estado da Nação. Se olharmos para a evolução da dívida pública desde a chegada de Sócrates ao Governo, em 2005, a subida é de 38,5 mil milhões de euros, o que daria para comprar um carro por minuto durante cinco anos. O Executivo admite que entre 2010 e 2011 a dívida pública ainda aumente, no relatório de Orientação da Política Orçamental entregue no Parlamento.

Ontem o Estado vendeu 877 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidade em 2012 com um juro médio de 3,159 por cento. Há apenas dois meses, numa emissão semelhante, os juros eram quase metade desse valor, fixando-se nos 1,715 por cento. Os preços elevados do País se financiar lá fora acarretam consequências para as famílias. O crédito fica mais caro para os poucos que conseguirem aceder à Banca. Isto porque com o corte de rating da Moody’s a oito bancos nacionais (ver caixa), confirma-se a frase veiculada pelos banqueiros de que 'o tempo do crédito fácil acabou'. Sócrates terá ainda de responder às críticas da Oposição que apontam para o aumento da carga fiscal, níveis recorde de desemprego e défice. E se o debate sobre o Estado da Nação de hoje discutir o futuro do País, as perspectivas não são mais animadoras. O economista António Sampaio de Mello, que foi consultor do presidente norte-americano Barack Obama, admite que Portugal pode falir, dado que é uma 'empresa que não gera receitas. Como não gera receitas, não tem capacidade de endividamento nem tem capacidade para distribuir e criar riqueza'.

O primeiro-ministro, José Sócrates, fez ontem um discurso contra esta corrente criticando o 'negativismo': 'não vejo nenhuma razão para não confiar no nosso País', prometendo que 'o Governo estará ao lado das empresas'.

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